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Cachoeira do Sul, Rs, Brazil
Fundada em 19 de Junho de 2000, com objetivo de pesquisar, resgatar e incentivar a cultura e os costumes da raça negra através de atividades recreativas,desportivas e filantrópicas no seio no seu quadro social da comunidade em geral, trabalhar pela ascensão social, econômica e politica da etnia negra, no Municipio, Estado e no Pais.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Bob Marley e a Consciência Negra no Brasil

No início da década de 70, desafiando a ditadura militar, a violência policial e os obstáculos à liberdade de expressão, a juventude negra da época se organizou através de um movimento que é a origem do que denominamos movimento negro contemporâneo.



O ponto de partida para a articulação dessa juventude é a valorização da cultura negra e o resgate da história de organização da população negra no Brasil.

Recebe, também, a influência de significativos exemplos de luta em outros lugares do mundo como:
- O movimento da negritude surgido na França na década de 30, a partir da ação de intelectuais negros em torno de questões como a afirmação da dignidade racial;
- O movimento dos direitos civis nos Estados Unidos na década de 70, impulsionado pelos negros americanos em torno de bandeiras como a mobilidade social e igualdade do direito à cidadania entre negros e brancos.
- Os movimentos de libertação dos países africanos, também nos anos 70, que marcaram o fim do colonialismo português e a ascensão ao poder da população negra de Angola, Moçambique e Guiné-Bissau.

Os bailes, as equipes de som e a música negra são as os meios para os encontros e as manifestações dos valores e ideias dessa juventude.

Entre essas manifestações está um gênero musical, com letras de forte conteúdo político, oriundo do Caribe e principalmente da Jamaica, o reggae. Grupos como os Wailers e nomes como Burning Spears, Jimmy Cliff, Peter Tosh, Bob Marley passam a ser conhecidos e a ter suas músicas veiculadas aqui no Brasil.

Dando um salto no tempo, nessa semana acompanhamos, ao redor de todo o mundo, a rememoração dos 30 anos da morte do principal destaque do reggae, Bob Marley, que ao plantar suas raízes musicais, sociais e políticas a partir dos anos 70 é, sem dúvida, uma das pessoas mais veneradas e conhecidas no planeta.


Nós nos recusamos a sero que você queria que nós fossemos, Somos o que somos,é assim que vai ser,você não pode me educar”Babylon System


Quando eu lembro do estalar do chicotemeu sangue corre gelado,lembro no navio de escravos,quando brutalizavam minha alma”.Slave Driver

“Em que eu me lembro,a gente sentado alina grama do aterro sob o sol,observando hipócritasdisfarçados, olhando ao redoramigos presos,amigos sumindo assim,pra nunca mais,tais recordações,retratos do mal em si,melhor é deixar pra trás,Não, não chore mais,Não, não chore mais.(Versão de Gilberto Gil de No woman No cry – LP Realce, 1979)

Esses são trechos de música e letras ouvidas e cantadas por várias gerações e que tornaram Bob Marley um dos ícones, um modelo e um exemplo de luta contra as injustiças sociais, em todo o mundo. Que também contribuiu para que nós, negros e negras, aqui no Brasil tenhamos adquirido uma consciência negra, através do resgate de nossa história, da valorização de nossa cultura e de nossos líderes, que nos impulsiona a desconstruir o racismo e fortalecer a nossa identidade racial.


Flávio Jorge Rodrigues da Silva é diretor da Fundação Perseu Abramo, militante da Soweto – Organização Negra e dirigente da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen).

quinta-feira, 19 de maio de 2011

ANIVERSARIO DA ACCA- FEIJOADA COM SAMBA

 Associação Cachoeirense da Cultura Afro Brasileira tem o prazer de convida-lo (a) participar de nosso ALMOÇO  FESTIVO pela passagem do 11º Aniversario desta entidade no dia 19 de Junho 2011, a partir das  12h no Circulo  Operário Cachoeirense Cardapio Feijoada, Arroz Branco, Farofa, Couve Refogada, Salada de Laranja , Valor R$ 10,00 para adultos e crianças de 06 a 12 anos pagam R$ 5,00. OS convites podem ser adquiridos no Circulo Operario, com integrantes da ACCA e Bloco TALAGAÇO.

Durante o almoço haverá uma SUPER RODA DE SAMBA com musicos integrantes dos grupos SAMBA DE MESA, SIMPLICIDADE RS e SAMÔA  

SUPER FEIJOADA COM SAMBA
Dia 19 de Junho- Circulo Operario Cachoeirense
Almoço- Aniversario da ACCA
RODA DE SAMBA com integrantes dos Grupos SAMBA DE MESA, SIMPLICIDADE RS e SAMÔA 
 
INFORMAÇÕES:  51-99954957
                              ramosluciano73@hotmail.com
                              ramosluciano_73@yahoo.com.br
                         

Abolicionismo do século 21

Completamos no dia 13 de maio 123 anos da assinatura da Lei Áurea, lei que extinguiu a legalidade da escravidão no Brasil, dando fim aos longos 388 anos mais lúgubre da história nacional.


A assinatura da lei foi precedida por um grande movimento social envolvendo escravos e ex-escravos, as camadas populares e médias da população, intelectuais, liberais e a pequena burguesia que emergia, foi um marco pioneiro na luta por direitos humanos, o movimento abolicionista foi o mais pujante, importante e vitorioso movimento de massa que uniu o povo brasileiro.

Não há dúvida que o fim da escravidão no Brasil foi um fato positivo, esse era o objetivo do movimento abolicionista, avançamos institucionalmente ao livrar o país do anacr�?nico regime.
Com a abolição seguida da República, viramos o primeiro ciclo civilizacional na construção da nação brasileira, fomos o último país de toda a América a romper com esse criminoso regime.
Ocorre que a classe dominante brasileira nunca foi inepta na defesa de seus interesses, ao contrário, sempre projetou seus objetivos com décadas de antecedência.
Conhecia todo processo político que culminou na abolição da escravidão de todos os países da América. Sabia a resposta para os principais impasses que as elites escravocratas enfrentaram antes e após abolirem os escravos.

Nas experiências abolicionistas, fatos ocorridos em duas acachapantes derrotas dos escravocratas preocupavam: a protagonizada pelos escravos em 1804 (Haiti) e o profundo trauma provocado pela guerra civil e divisão do país entre 1861 a 1865 (Estados Unidos).

Preocupava, também, que a transição do escravismo ao trabalho livre custasse a acomodação das forças políticas divergentes na direção de um novo projeto de desenvolvimento para o Brasil, até então estava em vigor um projeto engendrado pela oligarquia agrária.

A oligarquia brasileira estava disposta a lançar mão de todas as medidas necessárias para se manter hegemonicamente no poder. Por isso, disputaram a condução do processo abolicionista, não projetava uma abolição completa que transformasse escravos em cidadãos.

O objetivo era garantir a gradualidade na transição para o impacto da mudança não afetar a produção e os lucros; exigirem indenização pecuniária pela perda de escravos, considerados propriedade privada; manter a posse da terra, sob inspiração da experiência australiana, instituíram a Lei da Terra em 1850 tornando-a mercadoria, escolha infeliz, pois consolidou o latifúndio no Brasil.

Assegurar uma maioria branca na demografia brasileira após a transição da mão de obra escrava para livre. Para isso atraíram o trabalhador europeu e incentivaram a miscigenação, pois viam os negros como potenciais inimigos do Brasil e responsáveis exclusivos pelo seu perpétuo subdesenvolvimento.

Segundo os censos de 1872 e de 1940 a população brasileira triplica e os brancos passam de 38% para 63% da população em apenas 50 anos. Tudo isso sustentado por teorias e ideologias em voga nas academias, sempre contando com a sustentação do braço forte do Estado.

A condução da transição do trabalho escravo para o livre sob a condução de uma elite colonizada, impatriótica e gananciosa só poderia engendrar uma nação injusta, desigual, dividida e violenta.

Felizmente a oligarquia brasileira não concluiu integralmente seu projeto, apesar do arrefecimento da luta abolicionista após a assinatura da lei, o povo sempre esteve no caminho dos poderosos.

Projetaram um país demograficamente branco e semi analfabeto, conduzido com punhos fortes por uma minúscula elite, com vocação exclusivamente agrícola, dependente dos impérios.

Para os grandes cafeicultores e os outros setores da elite nacional de finais do século 19, a assinatura da Lei Áurea deveria ser um evento burocrático e não um processo político de mudança de rumo da nação.

Coube, e ainda está na ordem do dia, aos movimentos sociais e as forças partidárias progressistas e democráticas a tarefa da mudança para completar a abolição ainda inconclusa.

Somente concluiremos a abolição se formos capazes de impor um novo projeto de desenvolvimento capaz de mudar a nação, subverter o projeto da classe dominante, superar as desigualdades e tornar o Brasil justo para todos.
É nessa tarefa que o movimento negro deve empreender todo seu esforço, compreendendo a complementaridade da luta de combate ao racismo para construção de um país socialmente próspero.

As vitórias pequenas e pontuais conquistadas na luta popular não nos desviam de um rumo revolucionário, ao contrário, são importantes, pois mantém o povo unido na luta.

De modo que o movimento negro tem que continuar sua luta por inclusão da população negra, ao mesmo tempo em que se soma aos trabalhadores, às forças revolucionárias e conseq�?entes que disputam o poder político no Brasil.

Na atualidade completar a abolição exige que construamos um país soberano, capaz de desenhar seu projeto, perseguir com altivez seu destino, defender seu território, defender a população, oferecer justiça e dar melhor qualidade de vida ao povo.

Exigirá mais democracia, mais participação do povo na escolha dos rumos do país, acesso a saúde, educação, emprego, moradia digna. Por isso, a pauta das reformas populares – reforma política, reforma agrária, reforma tributária, reforma educacional - é fundamental, pois poderão garantir mais direitos para aos trabalhadores.

Temos que garantir mais progresso social, combater a tensão no seio do povo, lutando para superação do racismo, do machismo, da homofobia e outras formas de opressão. Todo esse esforço deve ser irmanado com nossos vizinhos no continente.

A abolição do século 21 exigirá a mesma unidade nacional que foi às ruas e imp�?s a assinatura da Lei Áurea em finais do século 19. O mesmo ímpeto de Zumbi e de todos os heróis e heroínas an�?nimas que bravamente entregaram suas vidas contra um regime criminoso que lhes negava a humanidade. Essa é a tarefa histórica dada ao povo brasileiro, negros e brancos, homens e mulheres.


Edson França – Coordenador Geral da UNEGRO e membro do Comitê Central do PCdoB

Programa de Bolsas para Afrodescendentes

No contexto do Ano Internacional dos Afrodescendentes, a Unidade Anti-Discriminação do escritório do Alto Comissariado de Direitos Humanos das Nações Unidas está lançando um programa de Bolsas para descendentes de africanos de 10 de outubro a 4 novembro de 2011.

O programa de bolsas proporcionará a oportunidade de aprofundar a compreensão do Sistema de Direitos Humanos das Nações Unidas e de seus mecanismos, com foco em questões de particular relevância as pessoas de ascendência africana.

Isso permitirá aos bolsistas contribuir de forma mais efetiva à proteção e a promoção dos Direitos civis, políticos, econômicos, sociais e cultural dos Afrodescendentes em seus respectivos países e comunidades.

Quem pode se candidatar?
* O candidato deve ser afrodescendente
* O candidato deve ter no mínimo 4 anos de experiência no tratamento de questões relativas aos afro-descendentes ou minorias.
*O candidato deve ser fluente em inglês.
* Uma carta de apoio de uma organização afrodescendente ou da comunidade

Processo de Seleção
Na seleção dos bolsistas, as questões de gênero, e um equilíbrio regional  serão levados em conta. Os documentos apresentados deverão estar em Inglês.

Direitos
O candidato selecionado tem direito a uma bolsa para cobrir alojamento, as despesas básicas em Genebra, seguro básico de saúde, bem como um retorno de avião com bilhete de classe econômica.


Aplicação
Os candidatos interessados são convidados a apresentar o seu pedido por e-mail para:

africandescent@ohchr.org ou por fax para: 004122-928 9050 com uma carta de apresentação indicando claramente "Application to the 2011 Fellowship

Programme for People of African Descent", com os seguintes documentos:
* Application form:
http://www.ohchr.org/Documents/Events/IYPAD/ApplicationFormIYPAD.pdf

* curriculum vitae
* carta de motivação (máximo de 1 página) onde o candidato explicará sua motivação para a candidatura, o que ele/ela espera alcançar através da  bolsa e como ele/ela usará o que aprendeu para promover os interesses e os direitos dos afro-descendentes
* uma carta de apoio de uma organização /entidade parceira.
O prazo para recepção de aplicações é 15 de junho de 2011. Somente os  candidatos pré-selecionados serão contatados.


Assessoria Internacional/SEPPIR/PR
BSB - 16.05.2011

MAGALI NAVES
Chefe da Assessoria Internacional  Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
da Presidência da República. SEPPIR-PR
tel:- 2025 7020/7023 Fax - 2025 7089
Esplanada dos Ministérios - Bloco A - 9º andar
CEP:-70054-906 - Brasília - DF - Brasil

CONCURSO IMPERATRIZ DO SAMBA COM NOVA DATA

O Concurso IMPERATRIZ DO SAMBA promovido pelo Clube Cultural Beneficente União Independente com apoio da ACCA foi transferido para o proximo dia 11 de Junho com mesma programação, as inscriçoes podem ser feitas no Jornal OCORREIO na COMPPPIR ou com integrantes da ACCA e INDEPENDENTE até o dia 07 de junho.
Ingressos podem ser adquiridos nos mesmos postos de inscriçoes.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Abdias Nascimento é internado no HSE

Rio- O ex-senador da República e principal ícone vivo do Movimento Negro brasileiro, Abdias do Nascimento, 97 anos, está internado na Unidade Coronariana do Hospital dos Servidores, no Rio. Segundo os médicos que o atendem, sua condição é estável.


Abdias nasceu em Franca, S. Paulo, em 1914, e tem uma trajetória longa e produtiva em defesa da igualdade para a população negra brasileira, sendo o criador do Teatro Experimental do Negro, em 1944.

Depois de voltar do exílio, em 1978, entrou na vida política, onde se elegeu deputado Federal de 1983 a 1987, e senador da República, de 1997 a 1999, pelo PDT.
Foi um dos incentivadores da criação do Movimento Negro Unificado, em 1978. É Doutor Honoris Causa pela Universidade de Brasília e autor de vários livros, entre os quais "Sortilégio", "Dramas para Negros e Prólogo para Brancos" e "O Negro Revoltado".
Foi professor Benemérito da Universidade do Estado de Nova York e Doutor Honoris Causa também pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Estudo da UFRJ mostra que desigualdade racial se manteve

Rio - Passados 22 anos e seis meses desde a entrada em vigor da Constituição da República - chamada Constituição Cidadã - e oito anos após a criação da SEPPIR, Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil - 2009/2010, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, aponta a persistência e, em alguns casos, até mesmo o agravamento da desigualdade que atinge a população negra.


O Relatório elaborado pelo Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (LAESER), da UFRJ, e coordenado pelo economista Marcelo Paixão ,concluiu que quase metade das crianças negras, na faixa de 6 a 10 anos, apresenta defasagem idade série – ou seja, estão atrasadas em relação a série em que deveriam estar.

O mesmo indicador é de 40,4% em relação às crianças brancas. Na faixa de 11 a 14 anos, o percentual de crianças pretas e pardas que estão atrasadas no ensino fundamental sobe para 62,3%. A população negra (pretos e pardos) corresponde a 51,3% da população brasileira, segundo a mais recente Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (PNAD), do IBGE.

“A Constituição de 1.988 não foi negativa para os afrodescendentes, mas, do ponto de vista de seu ideário, ainda é algo a ser realizado”, afirmou Paixão.

O estudo destaca, por exemplo, que a criação do Sistema Único de Saúde beneficiou a população negra – 66,9% da população negra era atendida em 2008, contra 47,7% dos brancos – porém, a taxa de não cobertura dos negros é praticamente o dobro da população branca: 27% contra 14%.

“A gente vai verificando que, se por um lado, a população negra depende mais do Estado, o próprio Estado trata a população negra pior”, enfatiza o pesquisador.


 
Mulher negra


Um outro dado revelador da desvantagem é que 40,9% das mulheres negras (pretas e pardas) tem menor acesso aos exames ginecológicos preventivos: 37,5% nunca fizeram exame de mamas (brancas, 22,9%), 40% nunca fizeram mamografia (brancas, 26,4%), 15,5% jamais fizeram exames para detectar o câncer de útero – o papanicolau (contra 13,2% das mulheres brancas).

O Relatório elaborado a partir de dados do IBGE, dos Ministérios da Educação, Saúde e do Sistema Único de Saúde, revela que mães de crianças negras tem maior probabilidade de falecer por mortalidade materna – cerca de 2,6 mulheres afrodescendentes morrem por dia por causas maternas – contra 1,5 de mulheres brancas.

Paixão admite que algumas políticas que vieram da Constituição significaram avanços e citou como exemplo a criação do Bolsa Família e do próprio Sistema Único de Saúde (SUS), porém, garante que uma análise dos indicadores com maior profundidade não permite otimismo.

“Não dá prá dizer que uma política dessa não tenha tido importância. Mesmo os indicadores de universalização da cobertura da rede de ensino para a população entre 7 e 14 anos, também tem importância. Só que para cada um desses indicadores, eu tenho tantos vetores que servem como contraponto que cada um deles fica colocado sobre uma perspectiva que acaba não sendo muito otimista”, afirmou.

Analfabetismo entre negros é o dobro

A taxa de analfabetismo das pessoas negras no Brasil, segue sendo maior que o dobro do que ocorre entre as pessoas brancas, correspondendo a 71,6% do 6,8 milhões considerados analfabetos. Esse é um dos indicadores constantes do Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil – 2009/2010.







Veja os outros principais indicadores

1. Afrodescendentes têm menor chance de acesso ao sistema de saúde. Taxa de não cobertura ao sistema chega a quase 27% (brancos, no entorno de 14%)

2. Entre 1986 e 2008 a Taxa de Fecundidade Total (TFT) de mulheres negras (48,8%) cai de forma mais acelerada que das mulheres brancas (36,7%), mas as negras se sujeitam com mais intensidade às laqueaduras. Quase 30% em idade fértil estão esterilizadas; brancas, 21,7%)

3. Mulheres negras têm menor acesso aos exames ginecológicos preventivos: 37,5% nunca fizeram exame de mamas (brancas, 22,9%), 40,9% nunca fizeram mamografia (brancas, 26,4%), 15,5% jamais fizeram o Papanicolau (brancas, 13,2%)

4. Cresce o peso relativo de Aids junto à população negra, especialmente no sexo feminino. Desde 2006, a taxa de mortalidade por 100 mil habitantes das negras é superior à das brancas. Letalidade da Aids é maior entre os negros

5. A população negra é mais acometida pela infecção e morte por sífilis. No ano de 2008, do total de bebês infectados por sífilis congênita, 54,2% eram negros.

6. Mães de crianças negras têm menor acesso ao exame pré-natal (somente 42,6% fizeram mais de sete exames; no caso das brancas, 71%) e recebem atendimento menos cuidadoso no sistema de saúde, sugerindo a presença do racismo institucional. Por exemplo, mães que fizeram exame ginecológico até dois meses depois do parto: 46,0%, entre as gestantes brancas; 34,7%, entre as gestantes pretas & pardas.

7. Mães de crianças negras têm maior probabilidade de falecer por mortalidade materna. Morrem por dia cerca de 2,6 mulheres afrodescendentes por causas maternas (mulheres brancas, 1,5 por dia).



8. Negros são os mais beneficiados pelo Programa Bolsa-Família. Uma em cada quatro famílias chefiadas por afrodescendentes recebia o PBF (brancos, 9,8%). Peso deste Programa junto a esta população tem maior efeito no alívio das situações de Insegurança Alimentar extremadas. Por exemplo, o PBF permitiu a elevação do consumo de arroz por parte dos pretos & pardos em 68,5%, ao passo que entre os brancos o aumento foi de 31,5%. No caso do feijão ocorreu elevação no consumo pelos pretos & pardos de 68,0%, frente a 32,0% no aumento do consumo entre os brancos

9. Crianças e adolescentes afrodescendentes entre 4 e 17 anos são mais dependentes da merenda escolar para sobreviver: 60,6% são usuários deste tipo de recurso (brancas: 48,1%)

10. População negra tem menor probabilidade de acesso à Previdência Social. Em 2008, peso relativo dos trabalhadores pretos & pardos com acesso ao sistema era dez pontos percentuais menor em relação aos brancos. No caso das mulheres negras 20% das seguradas o eram na condição de Segurada Especial (entre as mulheres brancas, 10%).

11. Estudo especial da Unicamp feito para o Relatório mostra que negros tem menor esperança de sobrevida no conjunto das faixas de idade selecionadas. Fator Previdenciário aprofunda desigualdades raciais.



12. Relatório revela que a Constituição de 1988 não é cumprida quando se trata do acesso da população negra ao sistema escolar. Descumprimento é generalizado. Entre as crianças negras entre 11 e 14 anos nem metade estudava na série esperada.

13. Crianças e adolescentes negros têm pior desempenho escolar e sofrem com condições de ensino mais precárias. Taxa de crianças negras estudando em escolas públicas é de 90% (brancas 80%). Mais de um terço das escolas públicas frequentadas por alunos negros tem ou nenhuma ou pouca condição de adequação de infraestrutura. Nem 20% têm condições de segurança boa ou muito boa.



14. Jovens afrodescendentes são mais expostos ao abandono escolar e à frequência à escola em idade superior à desejada. Um em cada quatro jovens negros que fizeram o ENEM tiveram relatos de ter sofrido discriminação racial.



15. Vinte anos depois da Constituição de 1988, a taxa de analfabetismo das pessoas negras segue sendo mais que o dobro do que a das pessoas brancas. 6,8 milhões de pessoas em todo país que frequentam ou tinham frequentado a escola são analfabetos, os pretos & pardos correspondem a 71,6% deste total.

16. Crianças afrodescendentes com idade inferior a 6 anos têm mais dificuldade para ingressar nas creches e no sistema regular de ensino. 84,5% das crianças negras de até 3 anos não frequentavam creches; 7,5% das crianças negras de 6 anos estavam fora de qualquer tipo de escola e apenas 41,6% estavam no sistema de ensino seriado.




17. Réus vencem causas nos tribunais com maior frequência diante dos casos de denúncia de racismo. 66,9% nos Superiores Tribunais de Justiça. 58,5% nos Tribunais Regionais do Trabalho de 2ª instância.



18. O Relatório Anual das Desigualdades Raciais traz, ainda, dados inéditos sobre desigualdades raciais contra pessoas afrodescendentes nos EUA, Cuba, Equador, Colômbia, Uruguai e Comunidade Europeia.