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Cachoeira do Sul, Rs, Brazil
Fundada em 19 de Junho de 2000, com objetivo de pesquisar, resgatar e incentivar a cultura e os costumes da raça negra através de atividades recreativas,desportivas e filantrópicas no seio no seu quadro social da comunidade em geral, trabalhar pela ascensão social, econômica e politica da etnia negra, no Municipio, Estado e no Pais.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

A História ainda é uma bola de ferro que os descendentes dos escravos arrastam pelos tornozelos. Os efeitos nocivos da escravidão continuam afetando os bisnetos de suas vítimas diretas.
Eu (n.1974) cursei o ensino fundamental no Colégio Santo Agostinho, o médio na Escola Americana do Rio de Janeiro e, depois, História no IFCS/UFRJ ('99) porque meu pai cresceu em Botafogo, fez o ensino médio no Colégio Andrews e se formou bacharel em Economia ('70) pela mesma UFRJ.
Meu pai (n.1946) estudou na UFRJ porque meu avô estudou engenharia no Instituto Eletrotécnico de Itajubá, atual Universidade Federal de Itajubá ('38) e trabalhou durante muitos anos para a Chesf (Companhia Hidro-Elétrica do São Francisco), inclusive nas obras do Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso.
Meu avô (n.1909) foi engenheiro porque meu bisavô (n.1876) saiu do Mato Grosso (onde seu pai, veterano do Paraguai, estava servindo desde a guerra) pra estudar no Colégio Militar do Rio de Janeiro, onde foi comandante-aluno de 1897, depois formando-se engenheiro militar, participando do episódio dos 18 de Forte e reformando-se coronel.
Em 1888, com 12 anos de idade, meu bisavô estudava na capital do Império, em um dos melhores colégios públicos do país, com bolsa integral, soldo e emprego garantido após a formatura.
Se, ao invés disso, nesse mesmo ano, ele tivesse sido libertado (leia-se posto pra fora de casa) com a roupa do corpo, analfabeto e despreparado, sem conhecer pai e mãe, desprovido de qualquer poupança ou bens*, teriam seus descendentes estudado nas melhores escolas e universidades do país e feito parte da elite brasileira?
Sem esse capital socio-econômico e cultural acumulado pelo meu bisavô em 1888 (para não irmos mais longe), onde teria ido parar a cadeia de acontecimentos que desembocou na minha vida? Estaria eu, nesse momento, sadio e medindo 1,80m, cursando um doutorado em Nova Orleans e escrevendo essas linhas? Dentre minhas realizações, quantas são exclusivamente por mérito meu e quantas são consequência direta da vida privilegiada que eu e meus antepassados levamos? Que tipo de dívida EU tenho com as pessoas que não tiveram tanta sorte? Será ético simplesmente dizer "sorte minha, azar deles, e foda-se, hoje já nivelou tudo e no vestibular todos têm chances iguais"?
Dado que os efeitos nocivos da escravidão ainda se fazem sentir na pele dos descendentes das vítimas, não é tarde demais para serem indenizados pelo Estado.
E as cotas são um bom começo.

Fonte:  Alex Castro

http://www.geledes.org.br/areas-de-atuacao/educacao/cotas-para-negros/13936-o-peso-da-historia-a-escravidao-e-as-cotas http://www.geledes.org.br/areas-de-atuacao/educacao/cotas-para-negros/13936-o-peso-da-historia-a-escravidao-e-as-cotas

domingo, 18 de março de 2012

Racismo à portas fechadas termina em delegacia paulista.

Um grupo de humoristas racistas, reúne-se para um show em São Paulo. Convidam simpatizantes do racismo, que assinam um termo de compromisso,  em não denunciarem a série de crimes, que irão perpetrar  ao vivo, com suas piadas contra a constituição brasileira, que através da lei 7716, diz em seu artigo 1º: Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Esqueceram-se de avisar  ao músico negro Raphael Lopes, que acompanhava o show, sobre o “ACORDO RACISTA À PORTAS FECHADAS”.
O fato-crime: o “humorista” racista Felipe Hamachi, mostrava como prova que AIDS não era transmitida através de macacos, o fato de “transar” todo dia com um macaco–o foco de luz dirige-se para o músico negro e todos riem, só  o músico negro, não –.
O Músico foi até uma delegacia, e como sempre o delegado comandou a turma do “deixa disso”. Mais uma vez um negro no Brasil é duplamente discriminado. Discriminado quando é vítima de racismo e discriminado quando vai dar queixa. Este é mais um caso para o ministério público assumir.
Esses caras tem mais é que levar um processo, que mexa na parte mais sensível de seus CORPOS racistas, que são os seus bolsos. Imaginem um torturador pedindo ao preso que assine que tortura é brincadeira ou um estuprador apresentando um documento assinado pela vítima dizendo-se –”NÃO OFENDIDA”—. É O FIM DA PICADA! Marcos Romão
Assista o depoimento do Raphael http://r7.com/2DRL
A seguir leiam o editorial de nossa co-irmã, a Afropress.
Basta de humor fascistóide. Não passarão!
Um grupo de pseudo-humoristas sem nenhum talento, com tendências claramente fascistóides resolveu que negros, portadores de deficiência, mulheres, crianças e homossexuais, em suma, os setores sociais mais vulneráveis, tem uma única função: servir de alvo para a expressão da sua mediocridade e da sua total falta de noção quanto aos limites da vida em sociedade e num Estado Democrático de Direito.
Dojival Vieira-Editor da Afropress
O mais recente caso envolvendo o músico Raphael Lopes, comparado a um “macaco” no show de horrores promovido numa casa noturna de S. Paulo, pelo pseudo comediante Felipe Hamachi, expõe e revela que estamos diante, não apenas de uma piada racista (sem a menor graça como toda piada, que tem como fim botar no lixo a dignidade humana) mas de um fenômeno político que se manifesta nesse tipo de humor com traços abertamente fascistóides e nazistóides.
Seu objetivo é depreciar a condição humana, é naturalizar a violência contra negros e demais setores vulneráveis, é banalizar o que há de essencial na vida. Negros, portadores de deficiência, mulheres, crianças são transformados, nesse contexto, na escória, cuja única utilidade é servir de matéria prima do riso fácil para meninos bem-nascidos. É fascistóide precisamente por isso.
É covarde, porque seu alvo são os discriminados, numa sociedade capitalista que se alimenta da exploração e da exclusão.
Por isso quando um certo Bruninho Mano, no mesmo referido bizarro show, afirma que “é melhor comer uma criancinha de 5 anos do que uma cadeirante porque a cadeirante não tem firmeza nas pernas”, e uma platéia idiotizada acha graça na perversão, estamos diante da negação pura e simples, de valores civilizatórios que custaram séculos para se consolidarem na vida em sociedade.
Essa espécie de humor como toda a tendência fascistóide é regressiva. Provavelmente há séculos, antes da humanidade atingir o estágio civilizatório em que nos encontramos, comunidades primitivas deviam achar graça nesse tipo de piada.
Que ainda hoje filhos da classe média paulistana paguem ingresso e se divirtam com esse tipo de aberração, é apenas o sinal o perigo representado por impulsos primitivos e pela barbárie, precisa ser identificado e derrotado. Enquanto é tempo.

Fonte:  http://mamapress.wordpress.com/2012/03/18/racismo-a-portas-fechada-termina-em-delegacia-paulista/#respond