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Cachoeira do Sul, Rs, Brazil
Fundada em 19 de Junho de 2000, com objetivo de pesquisar, resgatar e incentivar a cultura e os costumes da raça negra através de atividades recreativas,desportivas e filantrópicas no seio no seu quadro social da comunidade em geral, trabalhar pela ascensão social, econômica e politica da etnia negra, no Municipio, Estado e no Pais.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Cotas raciais na sua opinião


O jornal do Povo, jornal diário de Cachoeira do sul, na sua pagina Online realizou no dia 29/01 uma enquete sobre Cotas Raciais perguntando a seus leitores se eram contra ou a favor das mesmas , na referida enquete não consta o numero de pessoas que participaram mas, sim o percentual ao final das participações.

ENQUETE JORNAL DO POVO 29/01/2008 (resultado final)
Você é a favor da reserva de cotas para negros?
Sim 14,86%
Não 79,73%
Tenho duvidas 5,41%
Gostaria de saber a sua opinião, faça seu comentário e envie.

Anticotas fazem protesto na UFRGS

Defensores das cotas sociais e estudantes que deixaram de ingressar no Ensino Superior devido à reserva de vagas ficaram frente a frente por alguns minutos, ontem, na reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Depois de uma tentativa frustrada de diálogo, os dois grupos se exaltaram, bateram boca e entoaram palavras de ordem.
Programada desde a semana passada, a mobilização do movimento anticotas teve início às 14h reunindo cerca de 40 candidatos que não conseguiram vaga na universidade e mães de vestibulandos frustrados.
Enquanto ainda ajeitavam os narizes de palhaço que dariam o tom do protesto e discutiam os rumos da mobilização dos anticotas, foram surpreendidos pela chegada em bloco de manifestantes pró-cotas liderados por membros do Diretório Central de Estudantes (DCE) da UFRGS.
Munidos de faixas, folhetos e de um potente megafone, o grupo entoava "ô abre alas, que eu quero passar, ô abre alas, o negro vai entrar". Logo, os dois grupos se encontraram diante da porta da reitoria, que se encontrava fechada.
Do lado de dentro, servidores acompanhavam o embate.- Estudem para entrar na universidade - gritou uma candidata reprovada, integrante da ala anticotas, apontando o dedo em riste na direção do grupo adversário.- Democracia - foi a resposta.
Vinte e nove ações contra reserva na Justiça Federal
Coordenador-geral do DCE, Rodolfo Mohr tentou serenar os ânimos para explicar que a intenção não era provocar atrito, mas "abrir um debate sobre para que serve a universidade".
Bastou um grito, emitido pelo líder do movimento contrário às cotas, Anderson Gonçalves, para reacender os ânimos:- Eu discordo dessa palhaçada - exaltou-se.
Em seguida, voltaram os brados de parte a parte e um apitaço.
Os opositores da reserva de vagas decidiram partir em marcha até o Ministério Público Federal para pedir o ingresso no Ensino Superior sob o argumento de que as cotas seriam inconstitucionais ao diferenciar os candidatos.
A procuradora regional dos Direitos do Cidadão, Suzete Bragagnolo, afirmou a uma comissão de representantes que o MPF ainda analisa a questão e deverá se posicionar sobre o assunto.
Na Justiça Federal, até ontem à tarde, já haviam entrado 29 ações contestando o resultado do vestibular na UFRGS.
Conforme a assessoria de imprensa, apenas uma liminar foi parcialmente deferida, garantindo provisoriamente a vaga para o reclamante enquanto não há uma decisão em definitivo.
A próxima manifestação anticotas será na quarta-feira, com saída da Praça da Matriz, às 14h, em direção ao Tribunal Regional Federal. ( Fonte Zero Hora 29/01/2008)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

STF arquiva acão contra cotas na UFSC

Brasília – Os donos das escolas particulares e os defensores das políticas contrárias às ações afirmativas e às cotas no Brasil perderam feio uma primeira batalha no Supremo Tribunal Federal para anular a Resolução da Universidade Federal de Santa Catarina, que criou o Programa de Ações Afirmativas com cotas para negros e indígenas e estudantes oriundos da Escola Pública no vestibular.
A ministra Ellen Gracie , presidente do STF, não analisou o mérito do Programa de Ações Afirmativas da UFSC e mandou arquivar o Mandado de Segurança impetrado pelo Sindicato das Escolas Particulares do Estado (Sinepe) que pretendia derrubar a decisão do Tribunal Regional da 4ª Região, com sede em Porto Alegre.
O Tribunal, ao apreciar recurso da Universidade, havia mantido a Resolução.
A ministra disse que o STF não tem competência para julgar Mandado de Segurança contra atos do Tribunal Regional Federal, por força de dispositivos da Constituição da República.
Por meio do seu Conselho Universitário, e fazendo uso da autonomia prevista na Constituição, a Universidade, decidiu em julho do ano passado, por intermédio da Resolução 8/2007, reservar 20% das vagas para alunos da escola pública e 10% para candidatos negros e indígenas.
Donos das Escolas
O Sindicato dos donos das Escolas argumentou que a Resolução contraria a Constituição e fere "o direito de igualdade entre os brasileiros”, por sinal, o mesmo argumento, utilizado pelo Procurador Davy Lincoln Rocha e acatado pelo Juiz da 4ª Vara Federal de Florianópolis, Gustavo Dias de Barcellos, para suspender a Resolução, na semana passada.
A Universidade já anunciou o recurso que deverá ser apreciado pelo Tribunal Regional da 4ª Região e poderá ter o mesmo destino do pretendido pelos donos das escolas, ou seja: o Supremo Tribunal Federal, que não está julgamento o mérito da medida neste caso, deverá manter a Resolução, sob o mesmo argumento utilizado pela ministra Ellen Gracie.
(fonte www.afropress.com.br)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Produtora de cinema é presa no RJ acusada de racismo

A produtora de cinema Anna Christina de Paiva, de 40 anos, foi presa acusada de racismo depois de chamar de "negrinha" uma funcionária da lanchonete do cinema do Shopping Downtown, na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio), na noite de ontem.
Horas depois, por força de um habeas-corpus, ela foi liberada pela polícia. A pena para o crime varia de um a três anos de prisão.
A confusão aconteceu depois de a atendente, cujo nome não foi revelado pela polícia a pedido da vítima, ter tentado sem sucesso passar o cartão de Anna para pagar uma pipoca. Depois de chamar a vítima de incompetente, ela passou a gritar que a atendente era uma "negrinha da Rocinha".
Um grupo de pessoas que estava na fila do cinema foi à 16ª Delegacia de Polícia para testemunhar contra a produtora. ( Fonte G1, 25/01/08)

Cotas, o assunto do momento

O procurador da República em Santa Catarina Davy Lincoln Rocha, 48 anos, foi o responsável pela ação que, até o momento, cancelou o ingresso pelo sistema de cotas na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Temendo que a liminar seja derrubada por decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, que tem sede em Porto Alegre e costuma desconsiderar os pedidos de anulação da reserva de vagas, Rocha promete entrar com outra ação civil pública tão logo isso ocorra para cobrar que o mesmo sistema seja implantado nos concursos do Judiciário federal da Região Sul.

De sua casa, em Joinville, o procurador concedeu ontem à tarde a seguinte entrevista por telefone a Zero Hora

Zero Hora - O senhor acredita que a liminar cancelando as cotas na UFSC será mantida?Davy

Lincoln Rocha - É difícil. O TRF da 4ª Região, que tem sede aí em Porto Alegre, tem cassado as liminares sob argumento de que a implantação das cotas não precisa de lei específica, que é um dos argumentos das ações, e se trata de uma medida compensatória pelo débito histórico com os negros. Já estou preparando outra ação caso isso ocorra.

ZH - Que ação?

Rocha - Vou pedir a anulação do concurso para juiz do TRF da 4ª Região que está em andamento, porque não está prevista a reserva de vagas para negros, egressos de escola pública e índios. A palavra-chave é "coerência". O TRF tem de ser coerente. Não pode ter uma postura da porta para fora e outra da porta para dentro. Quantos juízes negros e índios há na Justiça Federal hoje?

ZH - A intenção é provocar...?

Rocha - A questão é que, se queremos resolver esse débito histórico, não adianta dar diploma e depois fechar as portas. Temos de assumir esse débito em todos os ramos da sociedade, porque senão não adianta. Cota na vaga dos outros é refresco.

ZH - Algum TRF tem entendimento diferente?

Rocha - O TRF da 5ª Região, no Nordeste, embora não entre muito no mérito, tem entendido que uma resolução não pode instituir o sistema de cotas. Seria preciso uma emenda à Constituição ou lei específica. Aliás, essa lei está tramitando no Congresso, o que comprova que, até agora, estão implantando a reserva de vagas na mão grande.
( Fonte Zero Hora 25/01/08)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Justiça nega liminar contra sistema de cotas da UFRGS

Juiz entendeu que criação de novas vagas não é de competência do Judiciário
A Justiça Federal negou a liminar que questionava a implantação do sistema de cotas no vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
A decisão foi baseada no princípio da autonomia universitária, previsto na constituição.
De acordo com o juiz, a criação de novas vagas não é de competência do Judiciário. Dos cerca de 35 mil candidatos no concurso, 17 ajuizaram ações questionando o sistema de cotas.
( Fonte Zero Hora 24/01/08 16h 46min)

UFRGS terá de esclarecer Ministério Publico sobre sistema de cotas

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) terá de prestar contas ao Ministério Público sobre a reprovação de alunos não-cotistas. Desde ontem, apenas um escritório de advocacia de Porto Alegre foi procurado por mais de cem alunos que foram reprovados no concurso vestibular 2008 e pretendem ingressar com uma ação judicial.
Eles teriam obtido médias suficientes para entrar na universidade pelo sistema de classificação geral se não houvesse a reserva de vagas para estudantes de escolas públicas e afrodescendentes.
A UFRGS terá que explicar os critérios utilizados para o preenchimento das vagas no vestibular deste ano. O Ministério Público Federal solicitou que sejam entregues para análise, em até cinco dias, o edital e toda a documentação referente ao concurso.
Conforme a assessoria de imprensa da instituição, a UFRGS não se manifestará sobre o assunto enquanto não for comunicada oficialmente sobre qualquer tipo de ação. Entretanto, a principal alegação da universidade para que não haja reversão nas vagas preenchidas por cotistas é de que o conselho universitário tem autonomia para decidir sobre o sistema.
O advogado e professor da Faculdade de Direito da PUC, Cláudio Lopes Prezza Júnior, acredita que apesar dessa justificativa, a UFRGS terá dificuldades para se defender da enxurrada de ações judiciais que serão movidas nos próximos dias.
A advogada e especialista em Direito Educacional, Vanda Siqueira, reúne mais de 15 procurações, e ingressará ainda hoje com ação judicial contra a Universidade.
Caso o Ministério Público constate que o sistema de cotas sociais prejudicou estudantes para beneficiar outros alunos, ferindo o princípio constitucional da isonomia, a UFRGS poderá ser vítima de denúncia. (Fonte Zero Hora 23/01/2008)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

MP decide investigar a SPFW

S. Paulo - O caso da ausência de modelos negros nas passarelas dos maiores eventos de moda do país, como a São Paulo Fashion Week, será investigado pelo Ministério Público de São Paulo, que abriu inquérito civil para apurar a eventual prática de racismo nos desfiles.
O ponto de partida da apuração serão os levantamentos feitos pelo Jornal Folha de São Paulo nos últimos dias 17 e 18 e reproduzidos pela Afropress sob o título “Passarela branca”, em que dos 344 modelos que desfilaram, apenas oito eram negros – 2,3% do total.
O número de negros nos 40 desfiles ocorridos durante a SPFW – que começou no dia 16 e terminou nesta segunda-feira, 21/01 – confirmam a exclusão.
De acordo com levantamento feito pela Folha, dos 1.128 modelos, apenas 28 eram negros – ou seja 2,5% do total.
Segundo a mais recente PNAD – Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio do IBGE -, 49,5% da população brasileira é negra (preta e parda) contra 49,7% da população que se audodeclara branca.
O tema da edição deste ano foi, justamente, a diversidade racial, cultural e social, existente no país.
Segundo as promotoras Érika Pucci da Costa Leal e Cláudia Maria Beré, do Grupo de Inclusão Social do Ministério Público de São Paulo, “é necessário o combate à prática de todas as formas de discriminação, mais ainda quando ocorrem em eventos da magnitude e repercussão da SPFW”. Os promotores da feira de moda reagiram.
O diretor da SPFW, Paulo Borges, atribuiu a ação do MP a tentativa “de alguém querendo se promover às custas do evento”. "Esse problema existe há muito tempo, e a culpa não é dos estilistas, é de todo um sistema. Se quiserem resolver o problema da discriminação no mercado de trabalho, que comecem nas escolas, nos berçários, nas periferias. O Ministério Público que vá a esses lugares para obrigar que haja alimentação, educação e oportunidades para todos. No abrigo onde eu adotei o meu filho, tem 30 meninos iguais a ele", afirmou.
O diretor, que tem um menino negro de dois anos, adotado, disse que a falta de negros nas passarelas “é resultado da exclusão cultural, social e econômica”. "Mas o fato é que também há poucos negros preparados para a carreira de modelo. Não é preconceito, é uma herança. Quem tem que mudar isso é a sociedade", afirmou ele.
( Fonte www.afropress.com)

SEPPIR amortece críticas ao joverno, diz Jornalista


Rio - O jornalista Marcio Alexandre Martins Gualberto, da Comissão Executiva do Congresso de Negros e Negras do Brasil (CONNEB) e dirigente do Coletivo de Entidades Negras (CEN), disse que a Seppir - a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, "uma conquista do Movimento Negro” - ao invés de servir ao Movimento “serve como amortecedor de críticas desse setor ao próprio governo. “Os negros que ficam dentro dos partidos da base do governo, posando como se toda agenda do MN se resolvesse pela via partidária acabam também cumprindo esse papel e ajudam a fortalecer o discurso sem pé nem cabeça do presidente”, afirmou, referindo-se à declarações do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo as quais, o Estatuto da Igualdade Racial, que está no Congresso há 12 anos, ainda não foi votado por desunião das lideranças.
Respondendo à críticas feitas pela coordenação política do Congresso do Rio Grande do Sul, que recentemente lançou manifesto responsabilizando “pseudo-lideranças” pelos desacertos na organização do Congresso, Alexandre disse estranhar que a cobrança venha de onde está vindo de militantes de um modo geral, vinculados a organizações nacionais que fazem parte da direção do Congresso (CONEN, MNU e UNEGRO).
“Ora, a minha leitura é simples, há setores que estão usando o CONNEB para amplificar suas próprias disputas internas”, assinalou.
O jornalista, que é colunista de Afropress, chamou de cínica a fala do Presidente Lula, para quem o Estatuto só não foi ainda aprovado pela desunião das lideranças negras. “É uma fala cínica. É a fala da elite branca de dizer que como nós somos desunidos por isso não resolvemos nossos problemas". Na longa entrevista concedida ao editor de Afropress, Márcio falou ainda do Estatuto, da complexidade do Movimento Negro e sobre o CONNEB acrescentou: “Penso que temos que ser menos histéricos em algumas posições que assumimos. Precisamos entender o CONNEB como um processo amplo e que não se esgota em si mesmo”.
Veja entrevista completa no www.afropress.com

UFSC vai recorrer contra suspensão de cotas, diz reitor

A decisão da Justiça Federal de suspender o sistema de cotas sociais e raciais na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) vem causando polêmica no Estado.
Muitos estudantes que optaram pelas cotas agora não sabem se poderão fazer a matrícula, muito menos se poderão freqüentar as aulas, que começam dia 3 de março.
O reitor da universidade, Lúcio Botelho, afirmou que a UFSC conseguirá derrubar a liminar em instâncias superiores e deve entrar com o recurso amanhã.
Ontem, juiz Gustavo Dias de Barcellos, da 4ª Vara Federal de Florianópolis determinou a suspensão, por liminar, do sistema de cotas para estudantes negros e oriundos de escolas públicas na UFSC.
Segundo o juiz, a decisão foi tomada porque as cotas foram criadas por uma resolução interna da universidade, e não por lei.
( Fonte Yahoo noticias 22/01/08, faça seu comentário sobre o assunto)

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Veja meu Slide Show!

Feriado Nacional nos EUA

Enquanto no Brasil projeto que cria o Feriado Nacional em homenagem a Zumbi dos Palmares, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), dorme nas gavetas do Congresso, esta segunda-feira (21/01) foi Feriado Nacional – o Martin Luther King Day -, em homenagem ao líder e ativista negro, o pastor batista Martin Luther King Jr.
O Dia de Martin Luther King transformou-se em feriado nacional desde 1.986, quando se passou a reservar a terceira segunda-feira do mês de janeiro – data próxima ao aniversário do líder negro. A data é um dos três feriados nacionais dos Estados Unidos em homenagem a uma pessoa.
Biografia
Luther King Jr. Nasceu em 15 de janeiro de 1.929, em Atlanta, Geórgia, filho de Martin Luther King (pai) e Alberta Williams King . Foi pastor e ativista político pertencente a Igreja Batista tornou-se um dos líderes do movimento dos direitos civis (para negros e mulheres, principalmente) nos EUA e no mundo, através de uma campanha de não violência.
King foi a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz, em 1.964, pouco antes de ser assassinado.
Seu discurso mais famoso proferido na Marcha para Washington, em 1.963 – Eu tenho um Sonho – foi um marco da luta por igualdade nos EUA e em todo o mundo.
Em 1955 recebeu um PhD em Teologia Sistemática pela Universidade de Boston, razão pela qual muitos se referem à ele como Doutor Martin Luther King.
Luther King se casou com Coretta Scott King, com quem teve quarto filhos:Yolanda Denise King, Martin Luther King (neto),Dexter Scott King e Bernice Albertine King.
Todos os quatro filhos de King seguiram os passos do pai como ativistas de direitos civis, apesar de que opiniões e crenças sejam bastante diferentes entre eles. ( Fonte www.afropress.com.br 22/01/08)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

O Navio Negreiro


’Stamos em pleno mar
Era um sonho dantesco... o tombadilho,
Que das luzernas avermelha o brilho,
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar do açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...
Um de raiva delira, outro enlouquece...
Outro, que de martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!
No entanto o capitão manda a manobra
E após, fitando o céu que se desdobra
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!"
Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras, moças... mas nuas, espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs.
E ri-se a orquestra, irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Se o velho arqueja... se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...
Presa dos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia
E chora e dança ali!
Qual num sonho dantesco as sombras voam...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanaz!...
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?
...Astros! noite! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!...
Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são?...
Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa musa,
Musa libérrima, audaz!
São os filhos do deserto
Onde a terra esposa a luz.
Onde voa em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados,
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão...
Homens simples, fortes, bravos...
Hoje míseros escravos
Sem ar, sem luz, sem razão...
São mulheres desgraçadas
Como Agar o foi também,
Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos
Filhos e algemas nos braços,
N'alma lágrimas e fel.
Como Agar sofrendo tanto
Que nem o leite do pranto
Têm que dar para Ismael...
Lá nas areias infindas,
Das palmeiras no país,
Nasceram crianças lindas,
Viveram moças gentis...
Passa um dia a caravana
Quando a virgem na cabana
Cisma das noites nos véus......
Adeus! ó choça do monte!......
Adeus! palmeiras da fonte!......
Adeus! amores... adeus!...
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?
Astros! noite! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!...
E existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?!...
Silêncio!...
Musa! chora, chora tanto
Que o pavilhão se lave no seu pranto...
Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra,
E as promessas divinas da esperança...
Tu, que da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança,
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...
Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu na vaga,
Como um íris no pélago profundo!... ...
Mas é infâmia demais...
Da etérea plagaLevantai-vos, heróis do Novo Mundo...
Andrada! arranca este pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta de teus mares!
(letra e musica Caetano Veloso)

Brasil Quilombola


No imaginário nacional, é comum a associação dos quilombos às aulas de História no colégio, a algo restrito ao passado, que teria desaparecido do País com o fim da escravidão. Mas a verdade é que as chamadas comunidades remanescentes de quilombos existem em praticamente todos os Estados brasileiros. Levantamento da Fundação Palmares, do MinC (Ministério da Cultura) mapeou 743 dessas comunidades. De acordo com outras fontes, o número total de comunidades remanescentes de quilombos pode chegar a dois mil.
A dificuldade em se obter informações precisas e tornar amplo o conhecimento da população sobre as comunidades remanescentes de quilombos se deve, em grande parte, ao fato de elas terem permanecido isoladas até muito recentemente.
Esse isolamento fazia parte de uma estratégia que garantiu a sobrevivência de grupos organizados com tradições e relações territoriais próprias, formando, em suas especificidades, uma identidade étnica e cultural que deve ser respeitada e preservada.
A garantia do acesso à terra, relacionada à identidade étnica como condição essencial para a preservação dessas comunidades, tornou-se uma forma de compensar a injustiça histórica cometida contra a população negra no Brasil, aliando dignidade social à preservação do patrimônio cultural brasileiro - tanto seus bens materiais como imateriais.
Alterar as condições de vida nas comunidades remanescentes de quilombos por meio da regularização da posse da terra, estimular o desenvolvimento e apoiar suas associações representativas são objetivos estratégicos que visam ao desenvolvimento sustentável, com garantia de que os seus direitos sejam elaborados e também implementados.
Para isso, o Governo Federal criou, em março de 2004, o programa Brasil Quilombola, como uma política de Estado para essas comunidades, abrangendo um conjunto de ações integradas entre diversos órgãos governamentais , todas as ações são coordenadas pela Seppir, por meio da Subsecretaria de Políticas para Comunidades Tradicionais.

Cultura Brasileira


A Origem do Samba
Ao longo da nossa história muitas formas de compor melodias, harmonias e ritmos foram inventadas. A maioria foi importada de diferentes países e transformada com criatividade pelos músicos brasileiros.
Encontro musical
É possível afirmar que a música brasileira surgiu de um encontro musical improvisado entre índios e portugueses nas praias do Nordeste. Segundo a carta de Pero Vaz de Caminha, escrivão da Corte portuguesa, uma das primeiras "conversas" travadas entre colonizadores e índios foi por meio da música. Como ninguém entendia uma palavra do que estava sendo dito, um português decidiu tocar sua gaita galega, instrumento muito parecido com as gaitas de foles escocesas, enquanto outro tocava uma caixa que eles chamavam de tamboril. Os índios gostaram do que ouviram e improvisaram com os portugueses. Esse foi o primeiro dos muitos encontros musicais que ocorreriam entre brasileiros e estrangeiros.
Samba
O samba, uma das principais expressões da música popular, é um exemplo do cruzamento de práticas musicais no país. O gênero surgiu da mistura do jongo, dança de roda de origem banto que ocorre no Sudeste, com os toques dos tambores do candomblé jeje-nagô dos negros da Bahia, Pernambuco e Maranhão. Esses ingredientes agregados a outros de origem européia e indígena formaram, no começo do século XX, pela mão de Noel Rosa, Pixinguinha, João da Baiana, Cartola e outros, o gênero conhecido como samba. O toque final foi dado na casa de Tia Ciata, mãe-de-santo baiana, que reunia músicos como Villa-Lobos em sua residência na Praça Onze, no Rio de Janeiro. (Fonte Ig educação)

Obama pode se tornar o primeiro Presidente negro dos EUA


Barack Obama, negro e filho de muçulmano e de sobrenome Hussein, já foi classificado como "a grande esperança dos brancos" pela imprensa americana, ao incorporar o sonho de reconciliação e ao se colocar acima das divisões raciais do país.

Diferentemente de Hillary Clinton, que freqüentemente evoca o "marco histórico" que seria alcançado caso se tornasse a primeira mulher presidente dos EUA, o senador Obama raramente menciona diferenças de cor em seus discursos de campanha.
"Não há um EUA branco e outro negro, e sim os Estados Unidos da América", declarou em um discurso durante a convenção nacional do partido democrata em Boston, em 2004.
Apesar das divisões raciais nos EUA, para Elaine Kamarck, professora de políticas públicas da John F. Kennedy School of Government, da Universidade de Harvard, a questão da cor não terá muito impacto. "Há uma mudança nesta geração de americanos, e a questão de raça é menos importante a esses jovens do que às pessoas mais velhas", diz a professora.

A maior parte dos eleitores de Obama se concentra na camada mais jovem da população --que vive em meio à diversidade das universidades, influenciados pelo rap e pela música negra em geral-- e nos americanos de 30, 40 anos, que viveram as mudanças sociais das últimas décadas.

"A verdadeira essência do apelo de Obama é a idéia de que ele representa o idealismo racial --a idéia de que raça é algo que os EUA podem transcender", disse Shelby Steele, pesquisadora da Instituição Hoover da universidade Stanford, ao "Wall Street Journal"."É uma idéia muito atraente.

Muitos americanos realmente gostariam de encontrar um candidato negro em quem poderiam votar tranqüilamente para presidente dos EUA.

Origens
Protestante filho de muçulmano, Obama está acostumado a circular entre os mais diversos meios sociais.Senador democrata por Illinois, ele é filho de Barack Obama, economista queniano negro educado em Harvard, e de Ann Dunham -- branca, de Wichita, no Estado do Kansas.Nascido em Honolulu (Havaí) em 1961, seus pais se separaram quando ele tinha dois anos.Obama morou na Indonésia enquanto criança, após sua mãe se casar com um indonésio, e depois viveu no Havaí, com seus avós brancos.
As idas e vindas deram, segundo sua própria opinião, as ferramentas necessárias para que pudesse se tornar um político hábil na hora de fazer coligações e traçar alianças."Ele se movimenta entre vários mundos", afirma sua meia irmã, Maya Soetoro-Ng. "É o que fez em toda a sua vida".

Adolescente rebelde
Sua adolescência no Havaí foi marcada não só por uma destacada trajetória escolar, mas também por anos de contravenção.Na época, Obama experimentou maconha e cocaína, conforme afirma em sua biografia.Hoje se defende das críticas, feitas principalmente pelo casal Clinton e por assessores de Hillary, dizendo crer "que o americano médio sabe que o que alguém faz quando é adolescente, há 30 anos, provavelmente não é relevante em como vai desempenhar seu papel de comandante-em-chefe e presidente dos Estados Unidos".
Até o momento, apesar de o consumo de drogas ter sido levantado pelos rivais, a questão ainda não afetou sua campanha, na opinião de Kamarck, mas poderia, caso ele seja nomeado candidato democrata, e o Partido Republicano resolva polemizar a questão.
Obama casou-se em 1992 com Michelle Robinson Obama, com quem tem duas filhas: Malia Ann e Natasha.
Formação
Apesar da juventude que pode ser taxada de rebelde, Obama obteve uma seleta formação nas universidades de Columbia e Harvard, trabalhou como professor e defensor dos direitos civis em Chicago e foi eleito senador em 2004.
Ajudado por seu carisma e um enorme sorriso, Obama ganhou uma popularidade similar à de um astro de rock. A seu favor joga também uma atitude crítica com o conflito no Iraque, com críticas feitas antes mesmo da invasão do país por tropas lideradas pelos EUA em 2003.
Apesar de se vangloriar de suas experiências de vida, a principal fonte de críticas ao senador deriva de sua inexperiência política, principalmente em cargos executivos."Essa é a grande questão", diz Kamarck. Ele tem muito pouca experiência em nível internacional".

Terrorismo
No ano passado, Obama afirmou que, se eleito, poderia enviar tropas ao Paquistão para procurar terroristas. O país é um dos principais e mais importantes aliados dos EUA na "guerra contra o terror", o que fez a declaração causar espanto entre os americanos."Sou uma das pessoas que achou essa declaração nada inteligente, pois ela demonstra sua inexperiência", diz a professora de Harvard.
Porém, ela afirma que se ele chegar ao cargo e tiver uma equipe para política internacional, "não será assim tão mal".Obama brinca freqüentemente que o povo não se lembra de seu nome. A própria rede de TV americana CNN teve de fazer recentemente uma correção após confundir o nome do senador com o do terrorista de origem saudita Osama bin Laden, líder da rede Al Qaeda.
Chamá-lo de "Barack Osama", no entanto, não foi um engano cometido exclusivamente pela rede de TV.Outros políticos, principalmente da oposição, já erraram seu sobrenome algumas vezes. Fonte: Folha de S.Paulo

domingo, 20 de janeiro de 2008

Movimento Negro denuncia Secretária de Justiça


(São Paulo) Representantes de 25 entidades do movimento negro protocolaram no dia 08/01 (terça Feira), no Ministério Público Estadual, uma ação de inquérito administrativo contra a secretária de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Marília Muricy, por crime de racismo institucional, prevaricação e assédio moral.

O ato foi ocasionado a partir da exoneração do ex-superintendente do Procon, Sérgio São Bernardo, ocorrida no mês passado.

São Bernardo divulgou uma carta na internet acusando a secretária de ter praticado racismo e assédio moral.
No documento, organizado pelo Movimento Negro Unificado (MNU), Ceafro, Unegro Instituto Steve Biko, entre outras entidades, além do crime de racismo institucional, Muricy é acusada de ter sido omissa diante de denúncias de violação dos direitos humanos.

A representação cita casos, como o assassinato de Edvandro Pereira, aspirante a marinheiro, morto no ano passado por policiais quando estava em um ponto de ônibus e os seqüestros de moradores da cidade de Maracangalha.

“Acompanhamos em silêncio o descaso da Secretaria de Justiça em casos importantes, mas cansamos de tudo isto. A secretaria fracassou e levará todo o governo estadual ao fracasso total se não mudar suas relações raciais no interior desta gestão.

Não permitiremos que práticas racistas e autoritárias contraproducentes à política de governo, que se diz democrática e participativa, humilhem ou persigam qualquer um dos nossos”, afirma incisivo o diretor do MNU, Hamilton Borges.

Ele explica que o documento não está preocupado apenas em reparar danos causados à imagem do advogado Sérgio São Bernardo, mas com resultados coletivos que beneficiem a comunidade negra de forma geral.

Para a diretora-executiva do Ceafro, Vilma Reis, o ex-superintendente foi mesmo vítima do racismo institucional, que, segundo ela, contamina todas as instituições públicas.

A diretora acredita que esta ação representada pelas entidades do movimento negro pode motivar outras a fim de combater a discriminação. De acordo com os representantes dos movimentos, diversos projetos de autoria de Sérgio São Bernardo foram indeferidos pela secretária Marília Muricy.

Os projetos beneficiavam diretamente a comunidade negra, a exemplo de seminários para conscientizar sobre endividamento e melhorias na qualidade da água para bairros populares. Integrantes de entidades de defesa da população negra protocolaram ação em defesa do ex-superintendente do Procon que se diz discriminado . ( www.afrobras.org.br)

Documento refaz caminhos das etnias Africanas


Poesia da diáspora Negra
Documentário refaz os caminhos culturais das etnias africanas que deram origem, no Brasil, a manifestações como o maracatu e o congado
Há cinco anos, a cineasta Liloye Boubli embarcou na rota de um projeto que a “consome todos os dias”. A viagem – que já a conduziu a lugares geograficamente díspares, mas (na ancestralidade) irmanados, como África, Pernambuco e Minas Gerais –, entretanto, ainda não se materializou: por enquanto, a documentarista teve meios de alcançar a quarta parte do orçamento total (R$ 800 mil) previsto para o longa-metragem Festas dos reis negros.
Trilhando percursos culturais da África bantu (coabitada por centenas de grupos étnicos), a pretensão da realizadora não se embasará numa visão pessoal: “A partir de manifestações culturais como o maracatu e o congado, me envolvi na narrativa mítica dos brincantes, reis e devotos. A forma de remontarem essa história foi estabelecida, com prioridade, por eles –, e eu a sigo, para contá-la”, esclarece.

Festas dos reis negros – atualmente na fase de montagem e mixagem, antes de passar para 35mm – se subordina a ampla pesquisa de campo, que levou Liloye à viagem africana, há quase três anos. Na Angola embrionária de tradições brasileiras, a diretora esteve nas províncias de Malanje, Mbanza Congo e Soyo. “Por lá, empenhei uma sólida fonte de estudo. Contei com consultorias espontâneas de pesquisadores locais, etnolingüista de bantu, estive em museus de antropologia e absorvi a experiência do historiador Alberto da Costa e Silva (autor de A manilha e o limbambo e A enxada e a lança). Procurei material para me relacionar com os entrevistados, livre da ingenuidade de quem não conhece aquela história, porém dando espaço para que eventos fossem contados sob a ótica deles”, reforça.
Ciente da multiplicidade cultural, a diretora brinca: “Você precisa de três encarnações para desvendar o continente africano. A chegada da África à historiografia é algo recente: é como se, agora, começasse a ‘entrar na moda’. O desconhecimento das pessoas é amplo. Inclusive, o fato de falarmos em África já demonstra nossa ignorância: você tem a África bantu, a África iorubá, a islâmica, a subsaariana…” No filme, a delimitação virá sob o universo bantu, bem menos divulgado do que o referente à cultura iorubá revelada por Pierre Verger, por exemplo.
A imersão africana deu lastro ao entendimento dos costumes de escravos que reverberaram nas tradições do congado e do maracatu. O eixo do filme reflete, no presente, três tempos de história cultural: a Angola atual, com a coexistência de autoridades tradicionais e aquelas estabelecidas oficialmente (que respeitam as características da religião primitiva ainda estabelecida); o congado mineiro, cultuado em torno da igreja de Nossa Senhora do Rosário e pertinente ao legado do Brasil colonial, e o maracatu pernambucano, com a expressão contemporânea como vertente de cultura popular e cênica.

“O maracatu é uma dança e um ritmo que encerram a noção de rito. Com os primeiros registros no século 17, em Pernambuco, o maracatu tem origem histórica semelhante à manifestação colonial da festa de Coroação de Reis Congos. Naquele período, foi um rito dos negros que elegiam um rei que trazia ingerência sobre a população escrava, numa espécie de acordo de autoridade”, explica a produtora musical do filme, Deborah Dornellas, que, em 2001, defendeu na UnB a tese O maracatu e seus lugares. “Foi um espaço de negociação para que se forjasse uma sociedade, e que ainda é muito forte na vivência do congado”, completa Liloye Boubli.
Para além do artifício de mediação entre autoridades – traço operante ainda em Angola –, as manifestações seculares representadas no filme não devem se aprofundar nas implicações recentes, como a carga de preconceito às vezes enfrentada pelos congadeiros que legitimam uma manifestação negra derivada de Portugal e Angola. “No filme, não questiono esse sincretismo, nem ele é muito explorado. Vou trabalhar com religiosidade basicamente apenas na representação simbólica da calunga do maracatu: um elemento de ligação entre os continentes americano e africano”, adianta Liloye.

Apelo musical
Passada a atual “avalanche política”, a produção de Festas dos reis negros dará continuidade à travessia do “doloroso corredor da captação”. Previsto para ter 80 minutos de duração, o documentário tem co-produção angolana (além de parte de recursos viabilizados pela Eletrobrás e Chesf). Com previsão de chegar às telas em julho de 2007, a fita já tem 50 horas gravadas. A produção, iniciada em 2002, teve todas as seqüências pernambucanas (na Zona da Mata) feitas com suporte 16mm.
Fato incomum para um documentário, houve o cuidado técnico de capacitar o som para o padrão dolby, dada a importância do registro das toadas, letras e músicas. Conhecedor profundo do maracatu rural – “ritmo antropofágico e brasileiro”, como sublinha Deborah –, o músico Siba (da banda Mestre Ambrósio) foi um dos cicerones na passagem por Pernambuco. Com “gramática diferenciada”, porém, o maracatu nação deverá ser privilegiado no longa-metragem, pela maior ligação com a origem africana.
Além de trecho do poema de Ascenso Ferreira (Maracatu), cantado por Alceu Valença, Liloye se emociona com a possibilidade do uso de verso da música Pai grande (na voz de Milton Nascimento). “Aquela parte: ‘Pra onde eu vim?/ Não vou chorar/ Já não quero ir mais embora/ Minha gente é essa agora’, para mim, é uma das maiores traduções poéticas da diáspora negra”, conclui. (Fonte Correio Braziliense)

MPF arquiva investigação contra Ministra acusada de Racismo


O Ministério Público Federal (MPF) no Distrito Federal arquivou, nesta quinta-feira (17), uma investigação contra a ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, por suposta prática de racismo.
A investigação foi motivada por uma entrevista da ministra ao site da BBC Brasil, em Março do ano passado.
Para o MPF, não há elementos que comprovem o estímulo à prática do racismo.
E que a transcrição integral da entrevista demonstra que a ministra desaprovou esse tipo de conduta.
Em Março do ano passado, Matilde declarou que “não é racismo quando um negro se insurge contra um branco”.
E a ministra completou: “Quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou.” ( Fonte G1, faça seu cometário sobre o assunto)

Barak Obama, o caminho para igualdade racial e seus limites

A possibilidade de que Barack Obama se torne
o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, país que há 40 anos sofria com o racismo e a segregação, mostra os avanços obtidos pelos americanos no caminho para a igualdade racial, e também seus limites.

Com sua vitória nas internas de Iowa (centro) e seu bom desempenho nas de New Hampshire, o senador democrata diminuiu os argumentos daqueles que pensam que sua cor é uma desvantagem insuperável para as eleições americanas.

Com cara de jovem e sorridente na capa da Newsweek, Obama, segundo o editorial, "abre um novo capítulo na história de um país onde o problema racial foi vergonhosamente chamado de 'dilema americano'"."Barack Obama apresenta uma visão sedutora dos Estados Unidos, tentando pôr fim à divisão entre raças, classes, e tentando unir coalizões de pessoas capazes de fazer com que as coisas se movam", analisou Ron Walters, professor de Ciências Políticas da Universidade de Maryland.
Obama, nascido no Havaí de pai queniano e mãe branca do Kansas, viveu parte de sua infância na Indonésia, e se apresenta como "candidato de todos"."Somos uma nação, somos um povo, e o momento de mudança chegou", disse em seus discursos.
Obama não é o primeiro político negro a se lançar para a disputa pela presidência. Mas pertence a uma nova geração que não abre mão da luta pelos direitos cívicos e que se beneficiou de seus frutos.
Formado pelas universidades de Columbia e Harvard (onde foi o primeiro negro a dirigir a famosa Harvard Law Review), é o único membro negro no Senado.Alguns o descrevem como um 'Tiger Woods' da política, e sonham com uma "era pós-racial" nos Estados Unidos.
Isso é "absurdo", retruca Ron Walters em declarações à AFP, lembrando os problemas raciais que continuam dividindo o país."Pense nos últimos anos: (o que aconteceu com o furacão) Katrina, Jena (uma cidade de Louisiana onde seis jovens negros foram acusados de tentativa de assassinato após a agressão de um branco) e as recentes manifestações contra o racismo diante do Departamento de Justiça".
As últimas trocas de farpas da campanha eleitoral mostram que o tema racial continua sendo um terreno minado.
A pré-candidata democrata e ex-primera-dama Hillary Clinton ofendeu parte da comunidade negra ao dizer que "o sonho do doutor (Martin Luther) King começou a se realizar quando o presidente Lyndon Johnson ditou a lei sobre direitos cívicos em 1964", e que se seria necessário "um presidente para fazê-lo".
"A senhora Clinton conseguiu insultar um líder negro respeitado por sua comunidade em sua tentativa desesperada de insultar um líder negro que ganha terreno", considerou uma indignada editorialista negra do Washington Post.
A revista virtual Politico assegurou que "a carta racial está sobre a mesa nestas eleições, em particular nos estados do sul".
Depois do caucus em Nevada do próximo sábado, os candidatos democratas competirão no dia 26 de janeiro na Carolina do Sul (leste), onde 50% dos eleitores são negros e onde desde 1986 o aniversário de Martin Luther King é considerado feriado, festejado na terceira segunda-feira de janeiro. ( Fonte www.afrobras.org.br)

4ª Edição do Prêmio Educar valoriza Igualdade Racial

Promovido pelo Centro de Estudos das Relações do Trabalho e Desigualdade (CEERT) e com apoio do Banco Real, o “4º Prêmio Educar para a Igualdade Racial - Experiências de Promoção da Igualdade Racial-Étnica no Ambiente Escolar" tem como objetivo, sensibilizar e subsidiar profissionais da educação na inclusão social de crianças de diferentes etnias, professores e escolas de educação infantil e ensino fundamental I (1ª a 4ª série).
Podem ser inscritos os projetos que valorizem a igualdade racial por meio de pesquisas, exposições, produções teatrais, entre outros, para potencializar o debate e contribuir para eliminar a discriminação racial.

Confira os detalhes no site http://www.ceert.org.br/.

As aulas só começam em fevereiro, mas os professores que tiverem interesse em participar do prêmio já podem fazer as inscrições, que estão abertas até o mês de março.

Com foco nas escolas do estado de São Paulo, o prêmio possui a terceira maior rede de ensino público do mundo, com mais de cinco milhões de alunos, trezentos mil professores e seis mil instituições de ensino público.

A premiação para os profissionais será dividida: quatro professores (dois de educação infantil e dois de ensino fundamental) serão premiados com cinco mil reais e vão participar de um curso sobre a temática racial, além de ganharem kits com livros que envolvam o tema “diversidade humana e pluralidade cultural” e na categoria “Escola”, além dos livros e da inscrição dos gestores responsáveis no curso, cada escola será contemplada com 10 mil reais.Um júri técnico elegerá duas instituições de ensino para que o CEERT as acompanhe por até 12 meses, com o objetivo de auxiliar a consolidação do projeto inscrito. ( Fonte www. afrobras.org.br)

Nei Lopes cria dicionário para revelar escritores negros


Em março do ano passado, num debate, o escritor e compositor Nei Lopes ouviu um colega de mesa citar apenas autores brancos ao falar do tema "O negro na literatura brasileira".

Foi a semente para que começasse a produzir o "Dicionário Literário Afro-Brasileiro", agora lançado. "Senti que era necessário tirar da invisibilidade o grande contingente de escritores negros existentes no nosso panorama literário", afirma Lopes.

"E mostrar, também, o modo como os negros foram habitualmente tratados, com estereótipos que moldaram, de forma distorcida, a percepção da sociedade brasileira sobre nós, afrodescendentes de todos os graus."

Para ele, esses estereótipos chegaram às telenovelas, nas personagens da empregada, do negro bandido etc.Os verbetes têm livros, autores e personagens. Os textos são muito mais descritivos do que militantes, mas a visão crítica de Lopes é perceptível.

Criações de escritores importantes são registradas como podendo ter contribuído, de alguma maneira, para a consolidação de um discurso racista.

"Há personagens que são verdadeiros arquétipos, como a Bertoleza de "O Cortiço" [de Aluísio de Azevedo]; a galeria de tipos do Jorge Amado; os do Josué Montello em "Tambores de São Luís'; e os do teatro de Arthur Azevedo", exemplifica.

Mais do que repisar o suposto alheamento de Machado de Assis nas questões raciais, Lopes vê um sentido militante em sua obra ao falar de escritores pouco conhecidos, especialmente os contemporâneos."Em São Paulo, por exemplo, há um movimento literário que publica antologias anuais há mais de 20 anos. Em Minas, existe uma editora de autores negros.

O dicionário é composto dentro de uma perspectiva de mostrar o que está escondido", afirma.Com vocação de polemista desenvolvida em artigos de jornais, ele faz questão de estar na linha de frente na defesa das cotas nas universidades e contra o que chama de "racismo organizado"."Você escreve um artigo e, no dia seguinte, já tem um "doutor da USP", como diz o [deputado federal do PSOL] Chico Alencar, te replicando.

Você escreve uma carta ao jornal e, aí, no pé da tua carta, já tem uma "nota da redação". O racismo se organizou para negar a existência do racismo no Brasil."Lançando seu 21º livro, Lopes assume que busca um "respeito" que não alcançou na música popular, apesar dos 35 anos de carreira e de sucessos como "Senhora Liberdade", "Tempo de Dondon" e "Gostoso Veneno". "Embora, aqui em casa, o sambista pague as contas do escritor, acho que não conquistei o respeito que mereço", diz. ( Fonte Folha Online )

Ministro Gilberto Gil fla sobre moda e racismo


O Ministro da Cultura Gilberto Gil acabou de passar pela Bienal, onde realizou uma coletiva para falar sobre a moda como negócio, inclusão social e artística
Recém chegado da Amazônia, onde esteve com o ministro Mangebeira Unger, falou sobre o projeto governamental de desenvolvimento integrado da região, com ênfase na tecnologia, uso sustentável do meio ambiente e vigilância competente e seus paralelos com o projeto para a moda nacional.

Acredita que o caminho para a moda no Brasil é a inovação, a tecnologia de ponta, o olhar no futuro, o turismo, pois ela ainda possui um grande potencial não completamente explorado.
“A nossa costura não está satisfatoriamente presente no mundo, mesmo esse sendo um pedaço da economia brasileira que já está com um pé no século 21”, diz.
E a moda pode ser um dos fenômenos que vai mudar a nossa cara neste século, com o fortalecimento de uma classe média e o aumento do consumo.
Para asfaltar esse caminho, o ministro quer que o governo e as instituições brasileiras vejam a moda como uma forma de arte, para que ela se aprofunde em nossa diversidade cultural, ganhe ainda mais a nossa cara e cumpra seu papel como ferramenta de integração.

Dentro desse esforço, foi concedida ao estilista Ronaldo Fraga a medalha da Ordem do Mérito Cultural por seu trabalho.

É preciso também fortalecer os cursos de formação, abrir esse gênero em instituições de ensino públicas, acentuar a interface com a arte, arquitetura, técnicas de feitio. “A atividade criativa tornou-se força preponderante na economia”, afirma Gil.
Conglomerados de moda
“Esse processo de aquisição das marcas por grandes conglomerados será positivo se conseguirmos nos preparar bem para trabalhar com ele. O Design será moeda de negociação”.


Moda ao alcance de todos
“A periferia é capaz de inovar e emitir tendências. Temos que criar uma moda popular. São esses setores populares que vão fornecer insumos, como renda e outras manufaturas e produtos de nossa vasta cultura, à moda. Por isso eles também devem estar associados ao consumo”.
A falta de modelos negros nas passarelas
“Ainda é pequeno o número de negros em muitos outros quadros brasileiros. Nos quadros professorais, no mundo empresarial. A segunda abolição de uma certa forma de escravatura ainda não se deu plenamente”.

A moda um dia terá o prestígio internacional da música?
“A música também está confinada a alguns nichos. Ela precisa sair do prestígio editorial que tem nos veículos internacionais e ganhar também prestigio econômico, e esse é o caminho da moda”.

(Fonte www.atitude.ig.com.br 19/01/08)

sábado, 19 de janeiro de 2008

Cachoeira, sem Carnaval !


A Prefeitura Municipal de Cachoeira do Sul e o produtor cultural Mauro Morallez não conseguiram captar recursos para brindar a cidade com a beleza do evento mais popular do País.

Nesta sexta-feira, durante todo o dia, a diretora do Núcleo Municipal da Cultura, Rosângela Varaschini, tentou entrar em contato com Mauro Morallez, não obtendo sucesso até o início da noite. Assim, sem nenhuma boa notícia para os carnavalescos, a diretora contatou o presidente da Liga Carnavalesca Cachoeirense (LCC), Luiz Aníbal Machado, comunicando-lhe do cancelamento do Carnaval de rua.

O último Carnaval de rua com a participação das escolas foi realizado no ano de 2003. A organização e captação de recursos para a folia foi coordenada pela Oscip Defender. A campeã naquele ano foi a Unidos da Vila, que chegava ao seu sexto título do Carnaval Cachoeirense. O segundo lugar foi da Escola de Samba Inovação.

Rosângela credita o desconhecimento dos empresários quanto a Lei Rouanet, onde estes poderiam abater 100% do valor investido na folia. “Preferiram pagar Imposto de Renda a apoiar o Carnaval”, simplificou a diretora, afirmando que o desapontamento foi maior em razão do otimismo com o projeto de captação ter sido aprovado e a Prefeitura não ter captado sequer um centavo.O valor que a Prefeitura tentou, sem sucesso, captar através da Lei Rouanet é deR$ 211.000,00.
A expectativa agora é a realização do Carnaval de Blocos que também pela falta de recursos está sujeita a ser cancelada.
(Fonte de www.jornaldopovo.com.br, adpatado por L Ramos)

Sergio Augusto Jr


Diretor Cultural da ACCA e Coordenador do Núcleo da UNEGRO em Cachoeira do Sul, seu comentário sobre a falta de modelos negros nas passarelas
Mas se toda base econômica e evolutiva da sociedade atual brasileira é devedora aos trabalhos escravos dos africanos, como não há modelos negros? É de conhecimento popular que nestes desfiles de moda globalizado, existem grandes marcas, renomados estilistas e modelos de patamares mundiais, porém não verificamos a presença dos modelos negros e negras nestas apresentações (independente do perfil ser ou não africano, item que está sendo muito valorizado pelas grandes grifes mundiais).
O fato do mercado dizer, conforme Humberto Adami, que o negro não um provável comprador das marcas, independe de valorizar a sua participação... como saber a probabilidade de compra, se no maior evento de moda do País, o negro não se reconhece ou identifica-se nas passarelas do Fashion Week e Rio Fashion.

Juiza derrota Cotas no Paraná

A estudante Elis Wendapap Cecatto, 20 anos, descendente de imigrantes europeus, conseguiu da Justiça Federal, liminar contra a política de cotas adotada pela Universidade Federal do Paraná. Cecatto obteve nota superior a de vestibulandos cotistas, mas não pôde ser matriculada no curso de direito da instituição. Da decisão ainda cabem recursos.
Na sentença, a juíza federal substituta Giovanna Mayer, determina que a UFPR deverá realizar a matrícula da estudante, “devendo acolhê-la como aluna regular, sem quaisquer restrições pedagógicas ou acadêmicas”.
Elis entrou com o processo em 2005 e hoje já está no quarto ano de direito do Centro Universitário Curitiba (Unicuritiba), uma instituição particular. Com a demora no processo, a estudante já não sabe se poderá cursar a instituição pública. “Pode ser que a decisão final saia depois de eu me formar. Mas o importante é manter a discussão sobre as cotas.
Elas não resolveram nada e foram implantadas de imediato, de forma impulsiva”, diz. Sua tia e advogada Rosane Gil Kolotelo Wendapap explica que o principal argumento da ação é o de que não cabe à universidade implantar a política de cotas. “A universidade não pode legislar. Com as cotas ela acaba criando direitos e obrigações, que são competência do Congresso Nacional”, diz
Política contra cotas
Mesmo que não possa obter o direito à vaga na federal, Rosane explica que vai levar o processo adiante: “Esse assunto é de interesse coletivo. O objetivo do processo é mostrar para a sociedade que ela também pode controlar a constitucionalidade de uma lei”.
A Universidade reserva 20% das vagas no vestibular como parte da política de inclusão racial, que são ocupadas por estudantes negros. Outros 20% são reservados para inclusão social, para estudantes de escola pública.
São 51 as instituições de ensino superior no Brasil que adotam Ações Afirmativas e Cotas, incluindo a Universidade Federal do Paraná. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, 25,8% da população paranaense é negra - 2.645.822 habitantes do total de 7.503.260 da população do Estado.
(Fonte afropress.com.br) Faça seu comentário sobre o assunto.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

ACCA retorna as atividades no dia 12/02/08


Conforme o presidente da ACCA( Associação Cachoeirense
da Cultura Afro) Evilasio Trindade, o reinicio das atividades
estão prevista para o dia 12/02, com reunião marcada para as 19h na sede situada junto ao Circulo Operario Cachoeirense,
na reunião será apresentado o calendário de atividades
proposta para 2008, entre elas estão a realização de uma atividade alusiva ao dia Internacional da Mulher
comemorado no dia 08/03 e a Musa do Samba que acontece no dia 22/03/03 . Maiores informações pelos fones 3723 8326 ou 51-91616364 com Luciano ou 37222224 das 14 as 17h c/ Evilasio.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Diversidade sem presença Negra

Nenhum negro teve vez no primeiro dia de desfiles da São Paulo Fashion Week, aberta nesta quarta-feira, no Parque Ibirapuera.
Na semana passada, na Fashion Rio, modelos negros fizeram manifestação silenciosa de protesto pela ausência na passarela.
A SPFW é o maior evento da indústria da moda no país.“Não consegui colocar nenhuma modelo no evento. É claro que é racismo o, mas é também uma questão de imaturidade. O mais engraçado é que o tema da SPFW deste ano é a diversidade”, afirma Helder Dias, diretor da HDA – agência especializada em modelos negros, que tem 200 contratados.
Segundo Dias, ainda há muita resistência das Agências e grifes na contratação de negros para desfiles, especialmente nas temporadas de inverno. “Acho que o negro é pobre e não tem poder de compra”, afirmou.Na semana passada, a produtora da Fashion Rio, Eloysa Simão, disse, em entrevista ao Jornal do Brasil, que o problema é que “negros não se encaixam na estética”. (Fonte www.afropress.com.br 17/01/2008)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Abolição inacabada será mote

Na primeira reunião do Fórum SP da Igualdade Racial, nesta terça-feira (15/01) na OAB/SP, dirigida pelo novo coordenador, o advogado Marco Antonio Zito Alvarenga, ativistas e lideranças presentes, decidiram que o mote central de todas as mobilizações deste ano, será a Abolição não concluída. A aprovação do Estatuto, que contempla reivindicações históricas da população negra brasileira, é considerada um passo fundamental para completar o processo de Abolição, iniciado em 1.888 com a Lei Áurea, porém, jamais concluído.Além do Estatuto, o Fórum quer a aprovação do PL 73/99, que cria cotas e da PEC 02/06, que institui o Fundo de Promoção da Igualdade Racial. Este ano faz 120 anos da Abolição da escravidão negra no Brasil, porém, os Governos e os órgãos oficiais se mantém em completo silêncio. Eventos históricos como os 200 anos da chegada da Família Real e os 100 anos da imigração japonesa, desde o ano passado, vem ocupando grandes espaços nos meios de comunicação, com programações de exposições e lançamentos de livros.

Quebrando o silêncio
Zito destacou a importância da participação na mobilização, não apenas das lideranças que, no ano passado, conseguiram coletar 100 mil assinaturas, sob a liderança do Frei Leandro Antonio da Silva, em um mutirão que envolveu entidades inclusive de cidades do interior como São Carlos, Piracicaba, Botucatu e e Bauru, mas também de instituições como a Assembléia Legislativa do Estado, os partidos políticos, as centrais sindicais e os parlamentares, especialmente, os da bancada federal de S. Paulo.Assim que terminar o recesso na Câmara dos deputados será retomado o contato com o presidente Arlindo Chinaglia (PT-SP), que no ano passado assumiu o compromisso em pautar o projeto para votação. Nesse sentido convocou uma Comissão Geral que fez audiência pública no plenário da Câmara e designou uma Comissão Especial formada por 17 parlamentares de todos os partidos, para apreciar o projeto.

Calendário
Na reunião também ficou decidido que haverá um calendário de atividades e de mobilização que começará na segunda semana de fevereiro, depois do carnaval, e culminará em maio – o mês da abolição não concluída – com uma programação extensa que buscará combinar a coleta de assinaturas, ações para sensibilizar parlamentares e a sociedade em geral e atividades culturais. Um dos projetos será a organização de um livro de poetas negros de São Paulo, a ser lançado durante as comemorações, que está a cargo dos jornalistas Dojival Vieira e do professor Eduardo de Oliveira, presidente do Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB).Também ficou decidido que o coordenador do Fórum procurará a direção da União das Escolas de Samba de S. Paulo (UESP), que levará para a Avenida no carnaval o tema da Abolição inacabada, para convidar seus dirigentes a assumirem a defesa do Estatuto, inclusive passando o Abaixo-Assinado. A proposta é organizar até maio, além dos contatos, visitas a parlamentares e a instituições e promover ato de entrega de mais 100 mil assinaturas aos representantes dos três Poderes da República (Executivo, Legislativo e Judiciário), pedindo a votação do Estatuto.A próxima reunião do Fórum será terça feira, dia 22/01, às 18h, na sede da Rede Educafro, quando serão constituídas as Secretarias - Secretaria Geral, de Mobilização, Relações Institucionais, Comunicação e Secretaria Indígena, entre outras - e anunciados os responsáveis. Um dos assuntos da pauta da reunião será o detalhamento do calendário.
A reunião contou com a presença dos advogados Luiz Calazans, da Secretaria da Justiça, de Luiz Augusto Faria, Secretário geral da Comissão do Negro e Assuntos Anti-Discriminatórios da OAB (CONAD), de Luiz Gonzaga da Silva, o Gegê, da Central de Movimentos Populares, Rose Kariri, da Associação Indígena Kariri, e de lideranças da Rede Educafro, do Sindicato dos Comerciários e do Movimento Brasil Afirmativo. ( fonte www.afropress.com.br)

Afropress é tema de estudo

Porto Alegre - “Imprensa Negra Online: O racismo na pauta de todos os dias", artigo que analisa a experiência da Agência Afroétnica de Notícias (Afropress), dos professores Ilzer Matos e Lourdes Silva, foi um dos trabalhos apresentados e aprovados na V Jornada de Estudos Afro-Brasileiros (ANPUH-RS), realizada em setembro em Porto Alegre e no 5º Encontro Nacional dos Pesquisadores em Jornalismo, promovido, em novembro, pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), na Universidade Federal de Aracaju.
Os autores tem larga experiência acadêmica, Ilzver de Matos Oliveira é bolsista do Programa Internacional de Bolsa de Pós-Gradução da Fundação Ford e Mestrando em Direito Público pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), além de também fazer Mestrado-sanduíche no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.
A Professora Lourdes Ana Pereira da Silva, é também Bolsista da Fundação Ford e Mestranda em Ciências da Comunicação da UNISINOS, no Rio Grande do Sul, além de também fazer Mestrado na Universidade de Coimbra.“Nesse trabalho denominamos de imprensa negra online, as experiências alternativas de comunicação que, inseridas na rede mundial de computadores, buscam suplantar os objetivos primeiros da imprensa negra surgida no início Século XX, deixando de falar para dentro e passando a dialogar com todo o mundo, diante da percepção de que o problema do racismo não deve ser preocupação exclusiva do movimento negro, mas, de todos indistintamente.
Assim, essa pesquisa analisou uma dessas práticas alternativas, o AfroPress, para a partir dele, discutir as características e as propostas dessa imprensa negra online, o seu protagonismo nas discussões atuais sobre o negro e refletir sobre a legitimidade, a capacidade e a independência dessa atuação, afirmam na introdução do artigo.
Imprensa Negra,
O trabalho faz um histórico da Imprensa Negra desde o período do escravismo, passando pelo período pós abolição, até os dias de hoje. “No momento atual, novas experiências de imprensa negra emergem e trazem consigo uma nova discussão sobre o papel dessa imprensa no enfrentamento do racismo e suas formas de expressão.
Esse novo debate reflete sobre até que ponto a imprensa negra atual continua restrita ao público negro, ensimesmada, e em que medida isso pode significar um entrave ao alcance dos seus objetivos principais.
Questiona-se, ainda, se não estaria na hora de construir um modelo de jornalismo negro que não tivesse por foco, tão somente, e exclusivamente, outros negros, mas que pudesse ser um veículo de conscientização de todos os cidadãos para o grave e persistente problema do racismo no Brasil. Um dos exemplos dessas novas experiências é o AfroPress”, afirmam.
Experiência nova
Os pesquisadores destacam a nova experiência de Imprensa Negra, da qual citam Afropress como exemplo, de “falar com e para o mundo”. “Anotamos que a proposta da AfroPress, que tem por foco um jornalismo voltado para a temática racial e étnica, a partir do uso da Internet, e pelo aproveitamento da experiência e do idealismo dos seus membros no trato da temática racial, por serem militantes e voluntários de movimentos sociais, e da sua formação profissional, já que são jornalistas ou profissionais de áreas afins, consegue realizar um trabalho que congrega a legitimidade, a capacidade e a independência.”Por fim, os pesquisadores, destacam que a experiência “tem o claro objetivo de servir de modelo e abrir portas para a sua reprodução”, mas alertam para os riscos de que, pela falta de alguns elementos que são analisados no trabalho, ou sejam, legitimidade, capacidade e independência, acabe-se, caindo nos perigos da cooptação, especialmente da grande imprensa, o que tornaria essa tentaitva de um jornalismo emancipatório em mais uma experiência de dominação e regulação, desvirtundo-a da trilha daquilo que se deseja construir alternativamente a partir da idéia de que “um outro mundo é possível” . ( Fonte Afropress, www.afropress.com.br)

Disney divulga imagem da sua 1ª Princesa Afro Americana


Tiana protagonizará o filme "The Princess and the Frog", a ser lançado nos cinemas em 2009. Reprodução/Disney/ComingSoon.net
Depois de Cinderella, Branca de Neve e Jasmine, mais uma heroína animada chega às telas para agitar os contos de fadas.
Desta vez o destaque é Tiana, primeira princesa negra de um desenho de longa-metragem dos estúdios Disney.
A personagem irá protagonizar o filme "The Princess and the Frog" ("A Princesa e o Sapo"), com lançamento previsto para 2009. A atriz Anika Noni Rose (de "Dreamgirls") fará a voz da princesa na versão em inglês.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Luther King, "precisamos desenvolver um tipo perigoso de altruísmo"


No dia 15 de janeiro, evocamos o nascimento de Martin Luther King (1929-1968), Prêmio Nobel da Paz, e um dos principais líderes da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos.
Sugerimos a leitura de alguns de seus discursos publicados no ano passado pela Jorge Zahar Editor e ainda encontrável nas livrarias.
O livro foi organizado por Kris Shepard e Clayborne Carson e traduzido por Sérgio Lopes. É a melhor coletânea de textos de Martin Luther King já editada entre nós.
Leia a seguir um fragmento do último discurso, proferido em Memphis, Tennessee, em 3 de abril de 1968, na véspera de seu assassinato.(...)"Há algo mais que precisamos fazer: sempre ancorar a nossa ação exterior no poder da retração econômica. Somos um povo pobre; individualmente somos pobres quando nos comparamos com a sociedade branca da América. Somos pobres.
Mas nunca se esqueçam que coletivamente, ou seja, todos nós juntos, coletivamente somos mais ricos que todas as nações do mundo, com a exceção de nove. Vocês já pensaram nisso? Fora os Estados Unidos, a União Soviética, a Grã-Bretanha, a Alemanha Ocidental, a França, e poderia menciona alguns outros, o negro, coletivamente, é mais rico que a maioria das nações do mundo.
Temos uma renda anual superior a 30 bilhões de dólares, que é maior do que toda a exportação dos Estados Unidos e maior do que o orçamento anual do Canadá. Vocês sabiam disso? Esse é o poder que temos, se soubermos utilizá-lo (Sim).Não precisamos discutir com ninguém. Não precisamos discutir com ninguém.
Não precisamos praguejar e sir por aí agredindo as pessoas com as nossas palavras.
Não precisamos de pedras nem garrafas, não precisamos de coquetéis-molotov (Sim). Precisamos simplesmente circular por essas lojas e pelas grandes indústrias de nosso país e dizer: ‘Deus nos enviou aqui para lhes dizer que vocês não tratam bem os Seus filhos. E viemos aqui lhes pedir que o primeiro item de sua agenda seja o tratamento justo dos filhos de Deus. Mas, se vocês não estiverem preparados para isso, temos uma agenda a seguir. E nossa agenda exige que retiremos o apoio econômico que lhes damos’.
E assim, como conseqüência, pedimos-lhe nesta noite que saiam e digam a seus vizinhos para não comprar Coca-Cola em Memphis. Passem por suas casas e digam para não comprar leite Sealtest. Digam-lhes para não comprar – como é mesmo o nome do pão?- Wonder Bread. E como é o nome daquela outra fábrica de pão, Jesse?
Digam-lhes para não comprar o pão Hart. Como Jesse Jackson disse, até agora, apenas os lixeiros sentiram a dor; agora de certo modo devemos retribuir essa dor.
Escolhemos essas empresas porque elas não têm sido justas em suas políticas de contratação e as escolhemos porque elas podem iniciar o processo de apoio às reivindicações e aos direitos desses trabalhadores em greve. E podem ir ao centro da cidade dizer ao prefeito Loeb para fazer o que é certo.

Mas não é só isso. Precisamos ir além e fortalecer as instituições negras.
Clamo a vocês que saquem o seu dinheiro dos bancos do centro da cidade e o depositem no Tri-State Bank.
Desejamos um movimento "bank-in" em Memphis. Por isso, passem pelas instituições financeiras. Não lhes peço nada que nós da SCLC já não façamos. O juiz Hooks e outros lhes dirão que temos uma conta aqui numa instituição financeira em nome da Conferência da Liderança Cristã do Sul. Apenas lhes pedimos que façam o mesmo. Depositem o seu dinheiro aqui. Vocês dispõem de seis ou sete companhias de seguro negras em Memphis. Queremos um "insurance-in".
Eis algumas medidas práticas que podemos tomar. Podemos começar um processo de construção de uma grande base econômica e, ao mesmo tempo, colocar o dedo na verdadeira ferida. Peço-lhes que trilhem esse caminho.Permitam-me dizer, agora que me aproximo da conclusão, que devemos lutar até o fim. Nada poderia ser mais trágico do que pararmos a esta altura, em Memphis.
Precisamos seguir até o fim. E,durante a nossa marcha, vocês precisam estar lá. Se necessário, faltem ao trabalho; se necessário, faltem à escola; mas estejam lá. Preocupem-se com o seu irmão. Vocês podem não estar em greve (Sim), mas venceremos todos juntos ou juntos seremos todos derrotados. Precisamos desenvolver um tipo perigoso de altruísmo".

Panorama Histórico da Consciência Negra

Conforme fatos históricos, pelos anos de 1570, quarenta escravos refugiaram de um engenho de Pernambuco, à noite, armados de foice e cacetes, caminharam dias e noites,chegaram em lugares de difícil acesso até encontrarem lugar seguro. Foi assim que começou a história de Palmares.
Foi com esse grupo de escravos que se desenvolveu uma dinâmica de troca, o trabalho com sua estrutura social revivia as organizações sociais dos antigos reinos africanos.
No início o quilombo de Palmares tinha poucas pessoas, mas essa comunidade chegou a ter 30 mil aquilombados, sem dúvida nenhuma o primeiro estado livre nas Américas.
Palmares era constituído de vários quilombos não móveis, sendo 12 deles de grandioso valor, visualizando os grandes quilombos, notamos que os negros estavam em uma sala de duas janelas, sendo que na primeira vêem o passado de seus descentes em seus países de origem.
Na segunda janela eles vêem o presente e o futuro,nesta visão do passado, presente e futuro, descobre-se que a resistência marcará a vida de multidões e isto devolve à comunidade quilombola, a capacidade de retornar com esperança a difícil caminhada de resistência.
Notamos que na visão do passado, a comunidade recorda toda sua ancestralidade e sua expectativa está cheia de otimismo.
Os 12 quilombos de outrora com aproximadamente 30.000 pessoas (12x30x1000) - 360.000 são todos os que resistiram no passado. O significado desta soma nos dá a esperança e nos remete ao presente para continuarmos resistindo nas diversas maneiras de transformações sociais, pois o Brasil é o segundo país no mundo constituído de população negra e só perde para a Nigéria, país africano. (Fonte AFROPRESS, colunista Antonio Carlos do Nascimento 11/01/2008)

E sobre a Falta de modelos negros na Fashion Rio ???


A explicação foi dada pela produtora e realizadora do evento, em entrevista ao Jornal do Brasil. na semana passada, modelos negros fizeram um protesto silencioso, na Marina da Glória, local do evento, exigindo maior presença na passarela.

Segundo Simão, há “uma estética a ser seguida”. Ela não disse qual é a estética.

A produtora disse ainda na entrevista ser contra qualquer tipo de cota. “Até porque, se formos começar por aí, daqui a pouco teremos cotas para ruivos. Além do mais, não posso intervir na escolha do casting, é uma decisão artística que cabe às grifes. Existe uma estética a ser seguida”, afirmou.

O advogado Humberto Adami, presidente do Instituto Ambiental e Racial do Rio (Iara) propõe a instauração de inquérito civil público, a ser replicado em todas as capitais brasileiras para que os executivos das grifes digam “qual é a tal estética”. "As griffes internacionais poderiam receber uma cartinha indagando sobre a tal linha estética e quem decide. Duvido que apareçam”, afirma.

Segundo Adami, a produtora tem uma certa razão quando diz que não é a organização que escolhe os modelos, mas sim as agências, as grifes e o próprio mercado.

A estética do mercado provavelmente não enxerga o negro como comprador de roupa de grife. Até porque não deve comprar mesmo. Ou, ao contrário, compra uma roupa de uma linha de estética que não é a sua”, afirma.O protesto de modelos negros deve se repetir também em São Paulo, onde esta semana, de 16 a 21, acontece, no Parque Ibirapuera, a São Paulo Fashion Week.

A São Paulo Fashion Week e a Rio Fashion são os dois maiores eventos da indústria da moda do país.( fonte AFROPRESS)

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Profetas do terror e a distorção da história


Ligações perigosas: As distorções históricas e o terror disseminado pela mídia e intelectuais acadêmicos acabam estimulando resistências e ações abertamente racistas como a registrada pela foto da UFRGS. Não estamos diante de um mero caso de boicote, mas sim de uma negação e interdição absolutas, que não contemplam nenhuma modalidade de acesso ao ensino superior. Só e somente existe um lugar possível para o negro na universidade, a cozinha do restaurante.


Enquanto os negros reivindicam o direito à vida, o fim da brutalidade policial, terra para os quilombolas, acesso à saúde, ao emprego, à universidade e o fim da intolerância religiosa, temas reais relacionados a indicadores concretos da exclusão que vivenciam, a reação alucinada das elites e dos setores médios, que a grande mídia representa, revela o abalo no edifício da dominação racial. As últimas semanas testemunharam uma explosão de terrorismo cultural e político no Senado, nos editoriais e reportagens, livros e noticiários de TV, alardeando a 'guerra racial', o 'ódio racial' e acusando os negros de racismo. Essa reação é ideológica e sua ampla e irresponsável difusão conta com a cumplicidade e a omissão de muitos. Reaja, fortaleça a mídia negra, lute por seus direitos. ( materia do jornal ÌROHIN edição nº 20 , editorial Edson Lopes Cardoso)

sábado, 12 de janeiro de 2008

MODELO NEGRO PROTESTA NO RIO

O protesto silencioso de cerca de 25 modelos negros marcou o dia desta quinta-feira (10/01), na Fashion Rio, um dos eventos de moda mais importantes do Brasil.
Eles reclamaram da falta de espaço nos desfile da semana de moda que acontece na Marina da Glória, no Rio. "Onde estão os negros nas passarelas do Fashion Rio? Somos excluídos”, afirmou o modelo Alexandre Cerqueira.
Com os braços cruzados, o grupo parou em frente a tenda Corcovado na manifestação para chamar a atenção dos produtores dos desfiles.
"Colocam 30 modelos brancos para desfilar e na passarela apenas um negro. Depois usam isso como desculpa. Por que negro não pode vestir uma roupa de frio, na campanha de inverno? Nós só queremos trabalhar", reclama o modelo Katito.
“Os desfiles aqui não tem negros. Quando tem, são dois, três, no máximo. Não entendo isso”, afirmou Cláudio Gomes da Agency.
O protesto ocorreu no mesmo dia em que os atores globais Lázaro Ramos e Thaís Araújo foram escalados para a passarela pela grife TNG. Além dos dois a grife escalou mais seis modelos negros.

AÇÕES AFIRMATIVAS SÃO REALIDADES EM 51 INSTITUIÇÕES DE ENSINO

Enquanto o Governo patina para aprovar o Estatuto da Igualdade Racial e o PL 73/99, parados há anos no Congresso, a sociedade – sob pressão do movimento social negro – caminha a passos largos e 51 instituições públicas já oferecem algum tipo de ação afirmativa – cota ou bonificação no vestibular para alunos negros, pobres, de escola pública, indígena ou deficientes.
Do total de instituições, 18 são estaduais das 35 existentes no país, o que corresponde a 51% dessas instituições.
Entre as 53 federais, 22 já contam com ações afirmativas, o que corresponde a 42% do total.
No caso das cotas para negros 33 instituições têm políticas nesse sentido.
Segundo o advogado Renato Ferreira, do Laboratório de Políticas Públicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e autor de um Estudo que traz o Mapa das Ações Afirmativas no país, muitas instituições que adotaram cotas não o fizeram pelo critério racial, optando por alunos pobres de escolas públicas sem distinção de cor, o que ele considera preocupante.
" O sistema de cotas no Brasil foi criado principalmente para a inclusão do negro nas universidades e acabou beneficiando também outras minorias ,
o número de instituições que não utilizam corte racial, no entanto, cresceu. É um retrocesso, estão flexibilizando o sistema e excluindo os negros."
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE de 2006, 30,4% dos estudantes do ensino superior das escolas públicas e privadas, se autodeclararam pretos ou pardos.
O percentual de negros no Brasil no total da população é de 49,5%. É um percentual menor do que os 49,5% no total da população, mas que vem crescendo ininterruptamente. Em 1.998 esse percentual era de apenas 17,6% dos estudantes universitários do país.

MAPA DAS AÇÕES AFIRMATIVAS
Tipo de ação afirmativa
(C) = Cotas (sistema onde há a reserva de um percentual de vagas na universidade para um determinado grupo)
(B) = Bônus (política que oferece a um grupo específico pontos a mais no vestibular, mas sem reservar um percentual de vagas)
(N) = Beneficia negros (universidades que, em sua ação afirmativa, optarem por fazer um corte racial em favor dos estudantes pretos ou pardos)

ESTADOS E UNIVERSIDADES PÚBLICAS
RIO DE JANEIRO
Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) (C) (N)
UENF (Universidade do Norte-Fluminense) (C) (N)
Uezo (Centro Universitário Estadual da Zona Oeste) (C) (N)
Faetec (Fundação de Apoio à Escola Técnica do Rio de Janeiro)(C) (N)
UFF (Universidade Federal Fluminense) (B)

MINAS GERAIS
UEMG (Universidade Estadual de Minas Gerais) (C) (N)
Unimontes (Universidade Estadual de Montes Claros) (C) (N)
UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) (C) (N)

SÃO PAULO
Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) (C) (N)
Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) (B) (N)
Famerp (Faculdade de Medicina S.J. do Rio Preto) (B) (N)
USP (Universidade de São Paulo) (B)
UFABC (Universidade Federal do ABC) (C) (N)
Fatec (Faculdade de Tecnologia - São Paulo) (B) (N)
Facef (Centro Universitário de Franca) (C) (N)
UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) (C) (N)

ESPÍRITO SANTO
Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo)(C)
Amazonas UEA (Universidade do Estado do Amazonas) (C)

PARÁ
UFPA (Universidade Federal do Pará) (C) (N)
Ufra (Universidade Federal Rural da Amazônia) (C)

TOCANTINS
UFT (Universidade Federal do Tocantins) (C)

DISTRITO FEDERAL
UnB (Universidade Federal de Brasília) (C) (N)
ESCS-DF (Escola Superior de Ciências da Saúde) (C)

GOIÁS
UEG (Universidade Estadual de Goiás) (C) (N)

MATO GROSSO
Unemat (Universidade do Estado de Mato Grosso) (C) (N)

MATO GROSSO DO SUL
UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) (C) (N)

ALAGOAS
Ufal (Universidade Federal de Alagoas) (C) (N)

BAHIA
UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana) (C) (N)
UFBA (Universidade Federal da Bahia) (C) (N)
UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia) (C) (N)
Uesc (Universidade Estadual de Santa Cruz) (C) (N)
Uneb (Universidade do Estado da Bahia) (C) (N)
Cefet-BA (Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia) (C) (N)

MARANHÃO
UFMA (Universidade Federal do Maranhão) (C) (N)

PARAÍBA
UEPB (Universidade Estadual da Paraíba) (C)

PERNAMBUCO
UPE (Universidade Estadual de Pernambuco) (C)
UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco) (B)
Cefet-PE (Centro Federal de Educ. Tecnológica de Pernambuco) (C)

RIO GRANDE DO NORTE
UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) (B)
Cefet-RN (Centro Federal de Educ. Tec. do Rio Grande do Norte) (C)

PIAUÍ
UFPI (Universidade Federal do Piauí) (C)

SERGIPE
Cefet-SE (Centro Federal de Educação Tecnológica do Sergipe) (C)

PARANÁ
UFPR (Universidade Federal do Paraná) (C) (N)
UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa) (C) (N)
UEL (Universidade Estadual de Londrina) (C) (N)
UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) (C)

RIO GRANDE DO SUL
UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) (C) (N)
UERGS (Universidade Estadual do Rio Grande do Sul) (C)
UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) (C) (N)

SANTA CATARINA
UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) (C) (N)
USJ (Centro Universitário de São José) (C)
fonte: Laboratório de politicas publicas da Uerj

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Sobre um editorial de O GLOBO

Nei Lopes
Cantor, compositor, escritor, advogado e historiador, iniciou a carreira musical na década de 70, cantando no LP "Tem Gente Bamba na Roda de Samba" e tendo sua composição "Figa de Guiné" (com Reginaldo Bessa) gravada por Alcione. Autor da "Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana" - Selo Negro - Edições


No auge das discussões sobre o “Estatuto da Igualdade Racial”, as opiniões contrárias à aprovação do texto pelo Congresso procuram caracterizá-lo como uma ameaça ao convívio supostamente pacífico que reinaria entre os vários segmentos étnicos da sociedade brasileira. É o caso agora do editorial intitulado “Grave Ameaça”, publicado na edição de 6 de janeiro de O Globo.


No texto, o jornal condena Brasília por “importar modelos aplicados em sociedades diferentes da nossa”, referindo-se aos Estados Unidos, “país símbolo dessas ações ditas afirmativas”, como ressalta. Como se, desde pelo menos a Segunda Guerra, o Estado e a sociedade brasileira não tivessem sido contumazes importadores de modelos emanados da sociedade norte-americana.

E como se a “democracia racial” brasileira não tivesse sempre conhecido, bairros negros, irmandades negras, clubes de negros, diversões para negros – face à simples impossibilidade de esses negros circularem sem problemas nos ambientes dos brancos.

Para O Globo, a baixa escolaridade do indivíduo negro e sua conseqüente estagnação nos estratos de renda menos beneficiados da sociedade brasileira ocorrem não por ele ser negro mas por ser pobre.

Aí o editorialista esquece ou não quer lembrar que a situação do negro brasileiro hoje é resultante de um processo abolicionista que, ao instituir uma nova ordem social no país, foi jogando na rua da amargura, sem terra, sem moradia e sem trabalho digno, através de gerações, milhões de ex-escravos e descendentes.

E que, com relação aos livres ou libertos em 1888, a nova ordem os foi empobrecendo e marginalizando, pela preferência que dirigiu à mão de obra recém chegada, principalmente da Europa.

Então, o negro brasileiro, sim, é pobre porque é negro – a palavra aí entendida como sinônimo de “descendente de africano escravizado”.

Diz mais o editorial que as ações afirmativas desafiam “o princípio constitucional da igualdade de tratamento entre todos os cidadãos brasileiros”.

Ora, ora... essa igualdade, todos sabemos, é apenas um princípio constitucional que na prática nunca se realizou.

Se houvesse essa igualdade, o negro não teria “escolaridade relativamente mais baixa” nem se situaria “nos estratos de renda menos beneficiados da sociedade brasileira”, como o próprio texto comentado admite.

Sobre o mérito acadêmico deixado, segundo O Globo, “em plano secundário” pelas políticas de ação afirmativa, perguntamos: que mérito escolar tem, sobre outro menos afortunado, o estudante tranqüilo, saudável, bem alimentado, vivendo em família abastada, letrada e com bem estruturados hábitos de consumo cultural?

Quanto à baixa qualidade do ensino publico no Brasil, servimo-nos de nossa experiência pessoal para lembrar que, em meados da década de 1950, um novo modelo educacional veio colocar por terra a escola em tempo integral, na qual se oferecia aos estudantes carentes de diversas origens uma grade curricular dividida em “cultura técnica” e “cultura geral”, que nos propiciava a todos a possibilidade de acesso ilimitado ao mundo do conhecimento.

E que, pelo menos no nosso ambiente, guindou da pobreza para o sucesso profissional muitos jovens, hoje sessentões, na época nem tão brilhantes nem tão disciplinados quanto poderiam ou deveriam ser.

Finalmente, sobre o “convívio pacífico”, em nosso país, “de várias raízes étnicas” – como se lê no editorial de O Globo – o que vemos no nosso dia-a-dia é mais a impossibilidade, para o brasileiro preto ou afro-mestiço, de sair do seu “lugar de negro”.

Estão aí as telenovelas, as revistas de glamour, as redações, as agências e produtoras, os estúdios de arte etc, que não nos deixam mentir.

Dessa exclusão é que se nutre a violência que abala as grandes cidades brasileiras, a qual se reveste de fortes componentes etno-raciais.

A violência que hoje nos atinge a todos – ela, sim, uma grave ameaça, de caos e destruição – resulta principalmente do fosso que se foi cavando, após 1888, neste triste Brasil em que vivemos, entre os “brancos” e os “não brancos”, até mesmo no terreno lamacento do ilícito penal.